A CP desativou locomotivas que tinha acabado de modernizar, porque a compra de 25 máquinas novas da Siemens, por 105 milhões de euros, deixou a empresa pública sem serviço para tanta locomotiva, revela o Jornal de Notícias. Contactada pela TVI, a CP diz «estar a recolher elementos» sobre este assunto.

O líder do Sindicato Nacional Democrático da Ferrovia, Francisco Fortunato, defende em declarações ao JN que a compra à multinacional alemã foi, no mínimo, exagerada.

As oficinas da EMEF - Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário no Entroncamento tinham reparado a fundo as locomotivas, instalando-lhe ainda ar condicionado e novos sistemas de comando e comunicações. O custo destas intervenções não foi, no entanto, divulgado pela CP ao JN, que todavia fala em «milhões de euros», segundo fontes do jornal.

Ainda de acordo com fontes próximas do processo, citadas pelo diário, estas locomotivas 2600, dos anos 70 e 80 e com uma carreira de sucesso no transporte de passageiros em longo curso, caso do Intercidades, podiam durar mais uma ou duas décadas. Após a chegada das novas Siemens, começaram a ser abatidas, até à última, em janeiro de 2011.

As 26 locomotivas abatidas custaram, quando foram adquiridas, aproximadamente 120 milhões de euros. Em França, por exemplo, continuam em atividade 58 unidades de um efetivo original de 65, e todas da década de 70.

Há que recuar a 2004 para entender por que é que a CP mantém encostadas, no Entroncamento, 26 locomotivas elétricas da série 2600. É em abril daquele ano, durante o Governo de Durão Barroso, que a CP lança o concurso para fornecimento de 15 locomotivas elétricas, mais dez de opção.

Ainda governava Santana Lopes, quando foi dada vitória à concorrente Siemens, mas as encomendas de 15 locomotivas em 2006 e dez em 2007 seriam feitas já com José Sócrates no poder.

O objetivo era substituir 25 locomotivas das séries 2500 e 2550, das décadas de 1950/60, no transporte de mercadorias.

E foi o que fizeram as novas máquinas, série 4700, depois de entregues à CP, em 2009, pelo preço de 105 milhões de euros (101 para a Siemens e quatro para fornecedores de equipamentos extra).

Recorde-se que a CP terminou o ano de 2012 com um prejuízo de 22 milhões de euros. O relatório de contas de 2013 ainda não está disponível no site da empresa.