O Estado tinha em depósitos no final de setembro 19.831 milhões de euros, mais 5.000 milhões de euros do que no final de 2011 e 15 milhões acima da almofada financeira existente antes de pedir ajuda externa.

De acordo com os números do Banco de Portugal, citados pela Lusa, a almofada financeira de Portugal, medida pela diferença entre a dívida pública na ótima de Maastricht e a dívida líquida de depósitos da administração central, era de 4.515 milhões de euros em março de 2011, dois meses antes de Portugal assinar o programa de resgate com os credores internacionais.

Em junho de 2011, um mês depois de acordado o Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF), a almofada financeira de Portugal subiu para os 17.087 milhões de euros e, no final do ano, Portugal tinha reservas de 14.939 milhões de euros, cerca de menos 5.000 milhões que a almofada atual.

O PAEF foi formalmente adotado a 17 de maio de 2011, tendo Bruxelas desembolsado 6,5 mil milhões de euros logo nos primeiros dias do resgate e o Fundo Monetário Internacional o equivalente a 7,2 mil milhões de euros (segundo a conversão atual dos Direitos de Saque, a bolsa cambial que serve de referência para o FMI, para euros).

No final de 2012, a almofada financeira de Portugal já era superior a 17 mil milhões de euros e manteve-se acima deste montante tanto no final 2013 como no final do ano seguinte.

Portugal recebeu as últimas tranches relativas ao resgate financeiro internacional em maio de 2014, no caso do FMI, e em novembro de 2014, no caso de Bruxelas.

De acordo com o calendário de amortização da dívida pública portuguesa, da Agência de Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) e que foi atualizado na semana passada, Portugal já não tem de amortizar dívida de médio e longo prazo este ano, tendo de amortizar 6,54 mil milhões de euros em 2016 e 8,61 mil milhões em 2017, considerando apenas a dívida de médio e longo prazo.

Já na apresentação a investidores, com data de 16 de outubro, o IGCP indica que prevê chegar ao final deste ano com uma almofada financeira de 8,6 mil milhões de euros.

Para 2016, o mesmo documento, que considera também a dívida de curto prazo, revela que as necessidades de financiamento do Estado serão de 17,5 mil milhões de euros, prevendo chegar ao final do próximo ano com uma reserva financeira de 9 mil milhões de euros.

O Presidente da República, Cavaco Silva, afirmou hoje, na Madeira, que as condições financeiras de Portugal são hoje "muito mais favoráveis" do que eram em 2011, sublinhando aquilo que considerou ser "uma almofada financeira de dimensão substancial".

Referindo-se ao "acesso mais fácil" aos mercados financeiros que existe hoje, no crescimento da economia, na diminuição do desemprego e "na almofada financeira de dimensão substancial" que o tesouro português tem agora, Cavaco Silva recordou a situação "exígua e assustadora do tesouro em 2011.

"Eu nem quero vos dizer qual era o montante que tesouro português tinha em cofre em 2011. Nem vos quero mencionar o que é que disse o representante português do grupo de trabalho do Eurogrupo em 2011 quanto àquilo que era a almofada financeira que nós tínhamos de tão exígua e assustadora que ela é", vincou, revelando que no dia seguinte recebeu telefonemas de vários países da Europa "assustadíssimos, porque havia um grande empréstimo a amortizar poucos meses depois".