Um valor «residual». Foi com este adjetivo que o atual presidente do Banco Espírito Santo «mau» classificou os oito milhões de euros que estão congelados no bad bank que resultou da divisão do BES em dois, em agosto de 2014, quando o Banco de Portugal decidiu criar o Novo Banco e deixar os ativos tóxicos no bad bank.

«O valor dos depósitos de ex-administradores e entidades que não puderam transitar [para o balanço do Novo Banco], no âmbito da lei, é residual no meio disto tudo. São oito milhões de euros», afirmou Luís Máximo dos Santos, perante os deputados da comissão parlamentar de inquérito ao Grupo Espírito Santo e ao BES. 

O presidente do BES respondia à deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, já na reta final da sua audição, que durou quatro horas e meia. 

O balanço do banco mau ainda não é conhecido, mas sê-lo-á dentro de poucos dias. O capital próprio do BES é «claramente negativo», segundo Máximo dos Santos.

A mesma deputada questionou porque é que as contas ainda não foram lançadas, embora estejam fechadas ou quase fechadas, questionando se o Banco de Portugal estaria a «condicionar» essa decisão de as publicar por pretender transferir mais ativos de uma entidade para outra. A lei da resolução prevê essa possibilidade.

O responsável do BES respondeu de forma genérica, dizendo que «o que houve foi atraso, por fatores vários, mas não por causa da transferência de ativos». A previsão inicial era que essas contas fossem conhecidas ainda em dezembro.

Na sua audição, Máximo dos Santos criticou a medida de resolução decretada pelo Banco de Portugal, dizendo que tem «lacunas importantes»

Revelou, também, que encontrou indícios de atos lesivos, ou seja, de crime, no seio do BES, quando assumiu funções já depois do colapso. Reportou-os e considera que, no final de contas, «o maior lesado disto tudo foi o BES»

Explicou quem serão os primeiros clientes a ser reembolsados, havendo possibilidade para tal, admitindo, porém, que a entidade poderá não ter capacidade financeira para pagar indemnizações que resultem de processos judiciais, caso o BES seja condenado.

Sobre o BES Angola, não exclui a possibilidade de processar o banco angolano, pela assembleia geral em que o BES se viu impedido de participar, vendo a sua participação acionista ser arruinada. Em cima da mesa, dependendo das conclusões que se vierem a tirar sobre as investigações em curso, também poderá estar um processo contra a retirada da garantia de Angola que cobria os créditos emprestados pelo BES ao BESA.