O Sindicato de Jornalistas (SJ) esclareceu este sábado que não comenta as mudanças na direção de informação da RTP por ser matéria da competência do Conselho de Redação.

Em comunicado, a direção do SJ diz ter sido surpreendida com notícias atribuindo a uma porta-voz dos sindicatos representativos dos trabalhadores da RTP apreciações à demissão do diretor de informação, Paulo Ferreira, e à indigitação, para o mesmo cargo, do jornalista José Manuel Portugal.

«O SJ demarca-se de forma inequívoca das referidas declarações e apreciações em causa», refere a nota, adiantando, ainda, que o sindicato não costuma pronunciar-se sobre o desempenho ou escolhas de diretores feitas pelas empresas.

«Em situações excecionais, o SJ assume de forma clara e inequívoca as suas próprias apreciações e posições e não as delega noutras organizações ou porta-vozes», acrescenta o comunicado.

Este sábado, Clarisse Santos, porta-voz da plataforma dos sindicatos da RTP, disse à agência Lusa que a notícia da saída de Paulo Ferreira do cargo de diretor de informação «não é inesperada» e que resultou de «polémicas internas» e editoriais sobre avaliações de desempenho e rescisões de contratos de trabalho.

«A notícia do seu pedido de demissão foi só uma questão de timing», afirmou Clarisse Santos, depois de ter sido conhecido na sexta-feira à noite que Paulo Ferreira pediu a demissão do cargo de diretor de informação da RTP.

Em outubro, a redação da RTP/TV havia determinado, em plenário, a perda de confiança na direção de informação, por esta ter aceitado «participar num processo ilegítimo», que culminará «na elaboração de listas de mobilidade», foi então anunciado pelo Conselho de Redação.

A Direção de Informação da RTP/TV reagiu garantindo que o processo de avaliação lançado na empresa não tinha como objetivo a elaboração de qualquer «lista» para despedimentos.

Pouco depois, no começo de novembro, os sindicatos afetos à RTP pediram a demissão de Paulo Ferreira devido a declarações que entenderam violar «o código de ética» sobre o processo de rescisões voluntárias no operador de televisão estatal.

Paulo Ferreira disse na sexta-feira que abandona o cargo de diretor de informação devido a uma «decisão pessoal» que resulta de uma leitura sobre o que «melhor defende os interesses gerais da RTP» e da informação da estação.

«A minha saída destas funções resulta de uma decisão pessoal, sustentada na leitura que faço sobre o que melhor defende os interesses gerais da RTP e, em particular, os da fundamental área da informação», disse Paulo Ferreira numa carta enviada ao presidente do conselho de administração da RTP, Alberto da Ponte, e a que a Lusa teve acesso.

A administração da RTP, que aceitou a demissão, declarou por seu turno que convidou José Manuel Portugal para o cargo de diretor de informação da estação.