O presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CSP) considera que está aberta uma crise política «extremamente grave» e que o Presidente da República deve clarificar situação com urgência.

João Vieira Lopes reagia assim, à Lusa, à declaração do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, de que tenciona manter-se como chefe do Governo, depois do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, ter pedido a demissão.

Passos Coelho disse ainda que não aceitou o pedido de demissão Paulo Portas, um dia depois de o ministro de Estado e das Finanças, Vítor Gaspar, também se ter demitido.

«Neste momento está aberta uma crise política extremamente grave que vai ter consequências para a atividade bolsista, taxas de juro e para a credibilidade junto das instituições internacionais», disse João Vieira Lopes.

«Desta crise, a imagem de liderança política em Portugal sai bastante mal», adiantou.

«Esperamos que o Presidente da República, como lhe compete, clarifique rapidamente esta situação», quer através do «quadro atual» político ou mesmo de eleições.

«Esta situação não se pode arrastar», sublinhou.

CIP apela à estabilidade política

Já o presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, apelou à estabilidade política, numa altura em que o país não pode ficar em suspenso por três meses, em caso de eleições antecipadas.

«Apesar destas surpresas desagradáveis, apelo à estabilidade política e social, que têm de ser mantidas. Tem de haver sentido de responsabilidade e aquilo que desejo é que haja estabilidade política» entre PSD e CDS-PP, disse António Saraiva à agência Lusa.

António Saraiva reiterou o apelo «aos dois partidos que integram o Governo para que encontrem as melhores soluções», considerando que «o país precisa é de alteração de políticas e não, de alteração de pessoas».

CAP diz que sem apoio do CDS já não há Governo

O presidente da Confederação dos Agricultores Portugueses, João Machado, também se mostra preocupado com a demissão de Paulo Portas, admitindo que, na prática, Portugal já «não tem Governo».

«Não temos Governo. Só quem não dá por isso é o primeiro-ministro», comentou à agência Lusa.

O presidente da CAP reconheceu que «ainda é possível» que o Presidente da República faça alguma «diligência» para verificar se há condições para manter um Governo com outros «protagonistas», mas, no caso de não haver, só resta marcar eleições legislativas antecipadas, o «mais rapidamente possível».

João Machado sublinhou que o Governo deixou de ter o apoio do CDS/PP e que, depois da comunicação de hoje ao país do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, gerou-se «claramente uma situação» que trará provavelmente «mais notícias» e episódios nos próximos dias.