O nível de recuperação dos créditos comuns caso o Banco Espírito Santo (BES) tivesse sido liquidado seria de 31,7%, segundo a avaliação independente feita pela Deloitte para o Banco de Portugal, que foi divulgada ontem no site da instituição.

No total, a auditora estimou que o valor total da realização dos ativos, num cenário hipotético de liquidação do BES a 3 de Agosto de 2014 - data do anúncio da resolução - ascenderia a 38,4 mil milhões de euros. Cerca de 62% do valor líquido contabilístico dos ativos. Os créditos sobre a insolvência era à data de aproximadamente 60 mil milhões de euros.

Nesta estimativa, os ativos dados em garantia seriam de 19,5 mil milhões de euros e os ativos não onerados seriam de 18,9 mil milhões de euros, perfazendo o total de 38,4 mil milhões de euros.

Já a estimativa dos créditos sobre a insolvência revela que há 14,1 mil milhões de euros de créditos garantidos, 16,4 mil milhões de euros de créditos privilegiados, 25,1 mil milhões de euros de créditos comuns e 4,4 mil milhões de euros de créditos subordinados.

Na alocação do valor estimado de realização de ativos a cada classe de credores a Deloitte aponta para que os credores garantidos recebessem 100% da sua exposição ao BES (14,1 mil milhões de euros), que os credores privilegiados recebessem igualmente 100% (16,4 mil milhões de euros), que os credores comuns recebessem 31,7% (8 mil milhões de euros) e que os credores subordinados não recebessem nada (0%) dos 4,4 mil milhões de euros aplicados no banco.

Esta auditoria foi pedida pelo Banco de Portugal à Deloitte com o objetivo de avaliar que perdas sofreriam os credores do BES se, em vez da resolução, o banco tivesse sido liquidado.

Se tivessem tido menos perdas numa liquidação, esses credores teriam dinheiro a receber do Fundo de Resolução bancário.

Entre os credores privilegiados do BES está o Estado (2,97 mil milhões de euros), cuja ‘fatia de leão' consiste em garantias prestadas (2,91 mil milhões de euros) e o restante montante é relativo a impostos (64,1 milhões de euros).

O BES, tal como era conhecido, acabou a 3 de agosto de 2014, dias depois de apresentar um prejuízo semestral histórico de 3,6 mil milhões de euros.

O supervisor bancário, através de uma medida de resolução, tomou conta da instituição fundada pela família Espírito Santo e anunciou a sua separação, ficando os ativos e passivos de qualidade num 'banco bom', denominado Novo Banco, e os passivos e ativos tóxicos, no BES, o 'banco mau' ('bad bank').