A chanceler alemã, Angela Merkel, declarou hoje que não vê necessidade de modificar o Pacto de Estabilidade na Europa, depois de declarações do ministro da Economia, Sigmar Gabriel, terem sido interpretadas como sugerindo o contrário.

No governo alemão, «estamos de acordo que não há necessidade de modificar o Pacto de Estabilidade», declarou Merkel.

O pacto atualmente «já tem flexibilidade suficiente, é a nossa convicção comum», afirmou a chanceler, numa conferência de imprensa em Berlim.

O vice-chanceler e ministro da Economia propôs na segunda-feira em Toulouse, França, que fosse excluído do cálculo do défice público na zona euro «os custos causados por medidas de reforma» para «dar mais tempo» aos países afetados por défices excessivos.

A declaração do dirigente social-democrata, parceiro de coligação de Merkel, foi entendida como um passo na direção de países como a França e a Itália, que defendem uma maior flexibilidade das regras de estabilidade orçamental na Europa para estimular o emprego e o crescimento.

A União Democrata Cristã liderada por Merkel sempre mostrou uma atitude intransigente em relação a esta questão, considerada sensível para a opinião pública alemã.

O ministro da Economia francês, o socialista Arnaud Montebourg, saudou as declarações do seu homólogo alemão, durante a visita conjunta que fizeram ao construtor aeronáutico Airbus, em Toulouse.

«A Europa deve agora mexer-se e encaminhar-se rapidamente para organizar a saída da crise. Agradeço a Gabriel as suas afirmações no sentido de termos um caminho de crescimento e não de caos (...) chegou o momento de agirmos em conformidade», afirmou.

Mas, numa entrevista divulgada hoje de manhã, Sigmar Gabriel voltou a falar no assunto, embora de forma diferente.

«Na Europa, não nos devemos afastar do Pacto de Estabilidade. Não chega anunciar reformas. O Pacto de Estabilidade garante flexibilidade e tempo se as reformas forem implementadas», declarou ao jornal Bild.

«Quero mais honestidade neste debate: nós, na Alemanha, estamos hoje melhor do que muitos outros países porque com a Agenda 2010 de Gerhard Schröder (antecessor social-democrata de Merkel) aplicámos um programa duro de reformas, mas também necessitámos de tempo para baixar a dívida pública», afirmou.

O Pacto de Estabilidade e Crescimento impõe um limite de 3% aos défices públicos e estabelece que os valores da dívida pública não devem ser superiores a 60% do Produto Interno Bruto (PIB), como escreve a Lusa.