Os avisos de Bruxelas sobre o Orçamento do Estado para 2018 estão aí, mas o primeiro-ministro não parece preocupado. Aliás, António Costa mostra-se confiante e acredita que a Comissão Europeia vai, "mês após mês", ganhar maior "tranquilidade" com o documento que vai gerir as contas públicas portuguesas durante o próximo ano.

À margem de uma visita à Escola das Armas, em Mafra, o chefe de Governo reagia assim ao parecer da Comissão, que identificou um "risco de não cumprimento" do ajustamento orçamental necessário para Portugal alcançar o Objetivo de Médio Prazo (de 0,25% do Produto Interno Bruto - PIB) "tanto em 2017 como em 2018".

Bruxelas antecipa mesmo que "pode resultar num desvio significativo" do ajustamento recomendado. Apesar dos riscos e de pedir mais medidas a Portugal, o comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, também disse que as coisas estão "bem encaminhadas" em Portugal, designadamente na redução do défice estrutural, apontando as previsões que também a dívida pública vá sendo reduzida.

Nas suas previsões económicas de outono, a Comissão já tinha revisto em baixa as projeções para o défice orçamental português tanto para 2017 como para 2018, não acreditando na meta prometida pelo Executivo liderado por António Costa.

O Orçamento do Estado prevê um défice de 1% no próximo ano, mas o partido do Governo, o PS, já admite que o défice se agrave para 1,1% por causa do dinheiro canalizado para o problema dos incêndios.