O título da última nota de research do Commerzbank é direto na mensagem: "Portugal - à beira da crise". O banco germânico alerta que retoma económica está a perder fôlego desde o último verão, que há uma perspetiva pior em relação ao desempenho da economia devido à reversão de políticas pelo novo Governo. O risco aumenta se Lisboa perder a única notação de investimento que possui, por parte da agência canadiana DBRS. 

"(Isto) aumenta os riscos para as metas do défice e adia qualquer descida significativa dos níveis elevados da dívida pública num futuro próximo. Isto é especialmente real dado que a inversão da política de austeridade veio piorar as perspectivas económicas a médio prazo"

O documento, citado pela Reuters, indica que há o risco de, a médio-prazo, o perder o seu último rating de investimento, para todas as agências que não a DBRS a República Portuguesa é considerada lixo). Se ficar sem essa nota positiva, isso excluíria Portugal do programa de compras do Banco Central Europeu.

O Commerzbank faz notar que isso colocaria não só "mais pressão nas obrigações soberanas portuguesas", mas "também representaria um risco" para a dívida do resto da periferia da zona euro.

O banco até realça que Portugal recebeu duas boas notícias recentemente - a manutenção da notação de investment grade pela agência DBRS, e a decisão da Comissão Europeia de não aplicar, pelo menos por enquanto, ao país e a Espanha, sanções pelo incumprimento das rregras europeias do défice em 2015. No entanto, essas notícias positivas tiveram escasso impacto nas obrigações portuguesas, com a taxa a 10 anos a negociar acima dos 3% há vários meses.

Hoje, a taxa está a subir 11 pontos base para 3,46%, máximos de mais de quatro meses, em linha com subidas das equivalentes da periferia da zona euro, vistas como as mais expostas a um eventual Brexit.

"E há certamente algumas boas razões para ceticismo, a economia portuguesa visivelmente perdeu ritmo, e desde meados de 2015 cresceu apenans cerca de 0,2% por trimestre. O que é verdadeiramente preocupante é o recente fraco desempenho do investimento"

O Governo prevê cortar o défice público este ano para 2,2% do PIB, face aos 4,% ano passado (incluindo a injeçção na resolução do Banif), vendo o crescimento económico a acelerar para 1,8%, o que compara com a expansão de 1,5% 2015.

Estas estimativas têm sido, contudo, classificadas como otimistas por agências de notação, organizações internacionais como o FMI, bancos de investimento, e órgãos nacionais como o Conselho de Finanças Públicas, especialmente depois de Portugal ter criado apenas 0,2% mais de riqueza no primeiro trimestre.