O ministro das Finanças afirmou hoje no parlamento que a desaceleração da procura externa, que se deveu a "choques muito importantes", como as situações em Angola, China, Brasil e o Brexit, penaliza o crescimento previsto para este ano, noticia  Lusa.

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Mário Centeno está hoje a ser ouvido na comissão parlamentar do Trabalho e da Segurança Social, no dia em que o jornal Público publicou uma entrevista em que o governante admite que a economia portuguesa vai crescer menos este ano, considerando que as previsões podem ser revistas em outubro, quando apresentar o Orçamento do Estado para 2017.

Esta manhã, em resposta a uma questão levantada pelo deputado do PSD Pedro Roque sobre se o Governo pretende rever em baixa o cenário macroeconómico feito para este ano, Mário Centeno afirmou que, quando o executivo tomou posse, "a economia portuguesa não crescia há seis meses".

"Alterar a economia numa situação destas leva tempo e requer ação e foi o que este Governo fez. O resultado deste primeiro trimestre, de [um crescimento de] 0,2% em cadeia, não é o número que este Governo deseja para a economia, mas é o trajeto de aceleração que se reforçou no segundo trimestre e que desejavelmente se possa manter ao longo do ano", afirmou, reiterando "todas as previsões para a economia portuguesa preveem uma aceleração".

O ministro das Finanças disse que, "se esta situação [de ausência de crescimento] se mantivesse, outras variáveis como o emprego ter-se-iam ressentido e isso não acontece", uma vez que "há um crescimento de emprego muito forte nos serviços e na indústria".

Mário Centeno disse ainda que, desde fevereiro, quando foi apresentado o Orçamento do Estado para 2016 (OE2016), se tem verificado uma desaceleração da procura externa e apresentou uma estimativa deste impacto no Produto Interno Bruto (PIB).

"No momento em que o Governo elaborou as últimas previsões, a procura externa crescia 4,6%. Neste momento, as organizações internacionais preveem para a procura externa - que não é afetada pelas políticas do Governo português e estamos a falar de choques muito importantes como a situação em Angola, na China, no Brasil e agora o Brexit [saída do Reino Unido da União Europeia] - um crescimento de 3,2%", avançou.

Segundo o ministro, "uma desaceleração de 4,6% para 3,2% na procura externa tem um impacto de 0,36 pontos percentuais no crescimento".