
A Comissão Europeia acaba de divulgar as suas previsões de Primavera, mais negras do que aquelas que o Governo prevê para Portugal. Bruxelas estima agora que o défice orçamental de 2012 derrape para os 4,7%. Passos Coelho mantém, no entanto, as metas e promete não aplicar mais austeridade.
Isso quer dizer que o país não vai cumprir as metas estabelecidas com a troika, uma vez que a estimativa está agora duas décimas acima do que consta do memorando de entendimento (-4,5%).
A Comissão diz mesmo que vai ser necessário um maior aperto na execução orçamental: «A meta do défice público para 2012 de 4,5 por cento do PIB permanece válida», no entanto, «os riscos que pendiam sobre o cenário macroeconómico começaram a materializar-se». Reflexo disso é o disparar do desemprego.
Daí que agora se antecipe uma derrapagem no défice. Se, em 2011, fechou nos 4,2% do PIB, graças à transferência dos fundos de pensões da banca, agora não será salvo por ela.
Mesmo em relação a 2013, a entidade liderada pelo português Durão Barroso contraria o Governo de Passos Coelho, ao dizer que o défice ficará uma décima acima daquilo que é exigido em termos europeus e que o Executivo se compromete a respeitar. Ou seja, em vez de 3%, chegará aos 3,1%.
Os números da recessão também são revistos. O cenário é pior do que o expresso pelo Governo no Documento de Estratégia Orçamental divulgado este mês. Portugal sofrerá uma contração de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano pelo que estas previsões reveem em baixa em 0,3 pontos percentuais as projeções feitas no outono por Bruxelas, sendo que o Executivo antecipa uma recessão menos profunda, de 3%.
A economia nacional deverá expandir-se, acrescenta ainda Bruxelas, 0,3% em 2013. O Governo está mais otimista, apontando para um crescimento de 0,6%.
O desemprego vai aumentar e chegar aos 15,5% este ano e, em 2013, cairá para os 15%. Ora o Governo prevê uma taxa 1% mais baixa para este ano - 14,5% - e de apenas 14,1% no ano que vem.
Mas, recorde-se, o ministro das Finanças anunciou esta semana que as previsões do Executivo nesta matéria vão ser «substancialmente revistas» no início de junho.
Diz ainda a Comissão Europeia que as exportações vão desacelerar para 2,5%, dadas as previsões mais frágeis para a economia de alguns mercados europeus. Uma situação que terá efeitos negativos no investimento privado, que deverá cair 12%. O consumo privado cairá 6%. Serão as maiores quedas da Europa.
Nas suas previsões, Bruxelas confirma ainda a recessão na Zona Euro em 2012. Só a Grécia afundará 4,7% este ano, mais do que os 4,3% estimados no outono.