A Associação de Defesa do Consumidor – DECO considera “bastante preocupante” a supressão de voos da TAP a partir do aeroporto Sá Carneiro, no Porto, e pede que seja reponderada a estratégia para não não prejudicar os passageiros.

Em comunicado enviado à agência Lusa, em nome da delegação regional do norte da DECO, a associação sublinha que o aeroporto Sá Carneiro serve “uma região onde a mobilidade aérea tem uma enorme relevância na vida dos seus consumidores”.

“Seja por via do número de emigrantes que utilizam os voos para a Europa como ligação ao nosso país, seja por via das empresas exportadoras sediadas nesta região, seja pelo turismo, setores com forte impacto em termos de emprego na região norte de Portugal”, justifica a DECO.

De acordo com a associação de defesa do consumidor, a prova está nos números, lembrando que as taxas de ocupação de voos da TAP de e para Bruxelas, Milão (aeroporto de Malpensa), Roma e Barcelona rondam os 77% a 95%, com um universo aproximado, em 2015, de 190 mil passageiros.

“Estando os direitos dos consumidores à qualidade dos bens e serviços, à informação, à segurança e à proteção dos seus interesses económicos constitucionalmente consagrados, a delegação regional do norte da DECO alerta para o impacto económico e social que a supressão destes voos poderá representar para os consumidores de toda a região norte de Portugal”, lê-se no comunicado.

Nesse sentido, a associação apela ao consórcio Atlantic Gateway, ao conselho de administração da TAP e ao Governo para reponderarem a estratégia, de modo a não prejudicar a mobilidade dos passageiros do norte do país, mas também com vista a valorizar a presença desses passageiros no Aeroporto Sá Carneiro no contexto dos voos de médio e longo curso.

Para segunda-feira, dia 15 de fevereiro, está marcada uma reunião entre a administração da TAP e os autarcas da Área Metropolitana do Porto (AMP) para abordar a suspensão de quatro voos da companhia aérea nacional de e para o Porto.

A TAP anunciou a suspensão das ligações diretas do Porto para Barcelona (Espanha), Bruxelas (Bélgica) e Roma e Milão (Itália) a partir de 27 de março, alegando que estas rotas são deficitárias.

Na quarta-feira, o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, no âmbito de uma reunião camarária pública, admitiu apelar à população da região para não voar na TAP.

Na mesma altura, o autarca prometeu não desistir da “guerra séria” para que a TAP, agora detida em 50% pelo Estado, restabeleça as rotas que anunciou querer suspender a partir do aeroporto do Porto, nomeadamente para Roma, Milão (Itália), Bruxelas (Bélgica) e Barcelona (Espanha).

Dois dias antes, Rui Moreira desafiou o Governo a dar ordens à TAP para restabelecer as ligações internacionais que a transportadora anunciou querer suspender partir do aeroporto Francisco Sá Carneiro.

O Estado conseguiu reverter o processo de privatização da TAP e passou a deter 50%, em vez dos anunciados 34%, tendo que pagar 1,9 milhões de euros ao consórcio Atlantic Gateway.