Quase 30 mil famílias portuguesas pediram em 2015 apoio ao Gabinete de Sobre-endividados da Deco (GAS), das quais 13% dizem respeito a penhoras dos rendimentos e dos bens, uma subida face a 2014, anunciou hoje a associação.

No ano passado, 29.056 famílias contactaram a associação por causa da situação económica difícil, sendo que em 2014 foram 29 mil, disse a coordenadora do GAS, Natália Nunes, em declarações à agência Lusa.

“Em 2015 temos, no entanto, de destacar o aumento das penhoras dos rendimentos e dos bens das famílias”, explicou, acrescentando que as penhoras representavam 6% das causas para o sobre-endividamento e no ano passado 13%.

“A penhora dos rendimentos e dos bens das famílias decorre muitas vezes das dívidas dos próprios, das dívidas ao fisco, do crédito, mas, sobretudo de dívidas de terceiros, por terem sido fiadores desses devedores”, adiantou Natália Nunes.

Contudo, segundo a coordenadora, o desemprego continua a ser a principal causa na origem das dificuldades financeiras das famílias, com 31%, seguido da deterioração das condições laborais, com 27% (sobretudo devido aos cortes nos salários e pensões), e das penhoras (13%).

A responsável da associação adiantou à Lusa que, em 2015, a Deco verificou também um aumento da concessão de crédito aos particulares, nomeadamente no que diz respeito aos contratos de créditos ao consumo e cartões de crédito.

“Em 2008, as famílias tinham em regra sete ou mais créditos, com o desenrolar da crise, o número diminuiu, mas em 2015 verificámos um aumento. Assim, em 2014, as famílias tinham em média quatro créditos e no ano passado cinco”, declarou.

No entender de Natália Nunes, esta tendência deverá manter-se no futuro, uma vez que os dados do Banco de Portugal apontam para um aumento do recurso ao crédito.

Segundo a Deco, 66% das famílias que pediram ajuda ao GAS em 2015 já estavam em incumprimento, sendo que em 2014 a média era de 63%.

Natália Nunes indicou também que a maioria dos consumidores sobre-endividados apresenta rendimentos totais do agregado familiar inferiores a dois vencimentos mínimos nacionais (1.010 euros).

“A taxa de esforço máxima recomendada situa-se nos 40%, enquanto a amostra analisada reflete que 77% dos seus rendimentos totais são destinados ao pagamento de prestações mensais de crédito”, disse.

Natália Nunes considera que todas “as famílias devem fazer o seu orçamento familiar para saberem onde estão a gastar o seu dinheiro e, sempre que tiverem dificuldades, devem tentar reorganizar o seu orçamento. Se não conseguirem, devem pedir ajuda quanto antes para não agravar ainda mais a situação”, concluiu.