Ter uma fatura da eletricidade mais simpática ao final do mês pode até ser mais fácil do que imagina. Há truques para poupar, não só a bem do seu bolso, mas também de um consumo mais ecológico, com equipamentos energeticamente eficientes e sistemas de energias renováveis.

Claro que para isso terá de adotar comportamentos mais eficientes lá em casa e, nesse sentido, escolher o tarifário que melhor se adequa aos seus perfis de consumo. Saem os dois a ganhar: o ambiente e a sua carteira.

Como todas as quintas-feiras, no espaço Economia 24 do Diário da Manhã da TVI, contámos com os conselhos da Deco, desta vez com a jurista Carolina Gouveia.

Simular tarifários

Primeiro que tudo reflita sobre a utilização que se faz das energias em casa. Quando é que costuma passar a ferro ou pôr as máquinas de lavar roupa e lavar loiça a funcionar? São perguntas importantes a fazer.

É que se olhar para as suas faturas da eletricidade, nelas consta o consumo nas horas cheias e de vazio (horas de maior e menor consumo). Isso ajuda a perceber se compensa optar pela tarifa simples ou bi-horária. Esta última pode ser uma boa opção, se 40% do consumo ocorrer nas horas de vazio. Daí ser importante perceber, nas suas rotinas, se os consumos maiores (como engomar e lavar a roupa) acontecem nessa altura.

Depois, a potência contratada. Na sua fatura, se observar bem, vem lá qual é a potência que tem. Há um truque simples a fazer para perceber se é demasiado alta ou baixa.

Se o quadro elétrico não for abaixo quando usa vários eletrodomésticos ao mesmo tempo, pode pedir para baixar a potência e, assim, pagará menos ao final do mês.

Esta operação não tem custos e reduz a fatura. Caso surjam “apagões” após a redução da potência, pode voltar a aumentá-la (também não tem custos) ou evitar ligar aparelhos mais vorazes em simultâneo, como a máquina da roupa e a da loiça”.

Mudar de comercializador

Se, mesmo depois de ter seguido os conselhos que demos atrás, não estiver ainda satisfeito, o mercado tem concorrência, logo, vários comercializadores que podem ter ofertas que se adequem melhor ao seu perfil.

Se consultar o site do regulador da energia, a ERSE, ou da própria Deco, pode obter facilmente a lista de comercializadores existentes. Depois, é só comparar com a ajuda dos simuladores disponíveis nesses páginas.

Há critérios a ter em conta na escolha do comercializador:

  • preço
  • prazos de vigência do contrato
  • serviços disponibilizados
  • meios e prazos de resposta a reclamações e pedidos de informação
  • penalidades em caso de rescisão antecipada
  • ofertas se houver necessidade de contratar serviços adicionais

 Na comparação de preços, sempre que possível utilize os consumos históricos para simular os valores a faturar em cada proposta e tenha atenção a eventuais serviços adicionais ou condições promocionais de duração limitada no tempo.”

Será sempre importante, sublinhe, pedir a ficha contratual padronizada. Pode ser aborrecido ler as letras pequeninas, mas é importante para escolhas mais conscientes e acertadas.

O novo contrato

Para mudar de comercializador é preciso fazer um novo contrato, mas isso não tem custos associados. Mais: é o novo comercializador que trata de todos os procedimentos necessários à mudança, “inclusive da rescisão do contrato de fornecimento com o anterior fornecedor”.

Quanto tempo é que demora a ter efeitos o novo contrato? Na maioria dos casos, em apenas cinco dias úteis. Ainda assim, o prazo máximo para a mudança é de três semanas.

Contudo, pode acordar uma data com o seu comercializador. O novo comercializador passa a faturar o consumo de eletricidade a partir dessa data e o cliente recebe do comercializador anterior uma fatura até essa mesma data”.

Vantagens de mudar para o mercado liberalizado

São muitas as dúvidas e a confusão que se gera entre os consumidores sobre se devem, ou não, mudar do mercado regulado para o mercado liberalizado. Ora, mais tarde ou mais cedo vão ter de fazê-lo

No mercado com tarifas reguladas, os preços de venda da energia eram fixados anualmente pela ERSE. Porém, em 2006 iniciou-se o processo de liberalização e, no final de 2012, foram extintas as tarifas reguladas para o setor doméstico.

Ainda estamos numa fase transitória: os consumidores que ainda não migraram podem manter-se com um tarifário designado por transitório, no seu comercializador de sempre. Este tarifário é passível de ajustes trimestrais e pretende ser um meio de incentivar a passagem para o novo mercado”. 

Se, inicialmente, a mudança deveria ter acontecido até ao final de 2015, a verdade é que o prazo foi adiado para 31 de dezembro de 2020. Lá está, mais tarde ou mais cedo terá de mudar.

E isso tem vantagens. Quanto maior for concorrência, maior será a competitividade de preços e condições. Pode escolher a empresa com a oferta mais vantajosa para si naquele momento e mudar quantas vezes quiser, sem custos associados.