Poderíamos aplicar a célebre frase de Descartes “penso, logo existo” a esta notícia, com uma adaptação: “desconheço, logo desconfio”. Ou até repescar o dito de outro filósofo, Sócrates: “só sei que nada sei”. Pois bem, assim são os portugueses na sua relação com instituições como o Banco de Portugal, no plano interno, ou o Fundo Monetário Internacional, no plano externo. Pouco ou nada sabem sobre elas, logo estão muito longe de lhes dar carta branca ou de porem as mãos no fogo pelo trabalho que realizam.

A Deco levou a cabo o seu primeiro inquérito sobre a confiança dos consumidores num conjunto de instituições nacionais e internacionais e os resultados são “arrasadores”, nas palavras da associação de defesa do consumidor.

Em comparação com outros países, os portugueses são dos “povos menos informados” quer sobre o funcionamento, quer sobre a formação e competências das instituições internacionais. Fica a pergunta da Deco: “Como é que instituições que têm um impacto tão grande nas nossas vidas são tão pouco conhecidas?”.

Genericamente, desconhecemos o seu funcionamento e, militantemente, duvidamos da sua isenção, questionamos a sua autonomia e relativizamos a sua capacidade”.

Banca e saúde pouco sãs

A desconfiança é maior em relação ao FMI, Organização Mundial de Saúde e Parlamento Europeu, já que oscila entre os 60% e os 70%.

As entidades ligadas ao sistema financeiro são, de facto, alvo de um ceticismo elevado, que a presença recente da troika e o colapso de bancos em Portugal podem facilmente explicar.  

74% não confiam no Banco de Portugal enquanto entidade supervisora do sistema bancário. Não será por acaso, no contexto da crise económica dos últimos anos, que o FMI, o Banco de Portugal e o Banco Mundial estão no fim da lista, não logrando, sequer, atingir os 3,5% de confiança”, numa escala de 1 a 10.

As pessoas duvidam da sua independência, da sua competência como supervisores dos bancos e, ainda, da capacidade para realmente fazerem algo pelo crescimento. Daí que quase 2/3 dos portugueses torça o nariz no que toca à autonomia face a grupos económicos, governos e forças políticas destas entidades poderosas.

Até a Organização Mundial de Saúde entra para este leque, já que metade dos inquiridos não acredita que a agência das Nações Unidas passe ao lado dos interesses governamentais e do lóbi da indústria farmacêutica.  

E, cá dentro, duas percentagens gritantes: 77% dos inquiridos não sabem quais são os seus direitos enquanto utentes do Serviço Nacional de Saúde; e 59% não têm confiança na
capacidade do SNS para responder a tempo às necessidades dos utentes.

Com uma nota positiva, mas ainda assim muito baixa, estão as forças de segurança, como o exército e a polícia (ambos com 5,9%), o sistema público de ensino (5,6%), a Igreja (5,4%) e a televisão pública (5,3%).

Fonte: Deco