A época de Natal é propícia a gastos excessivos. É preciso ter cuidado com o excesso de ofertas, sobretudo no que toca ao crédito. Provavelmente até recebeu, na sua caixa de correio, ou viu em lojas, ofertas de crédito pré-aprovado e/ou de 0% de juros. Há regras de ouro a ter em conta antes de contrair um empréstimo, seja ele qual for.

Não devemos partir da ideia errada de que um juro de 0% é um crédito sem custos. Não, é apenas uma parcela dos custos do crédito".

Natália Nunes, coordenadora do Gabinete de Proteção Financeira da Deco, explicou à TVI24 que é preciso olhar para a TAEG (Taxa Anual Efetiva Global) que permite aferir o custo do crédito. "Se tiver 0%, aí sim, significa que pagar a pronto ou de forma fracionada é exatamente a mesma coisa".

Mesmo assim, ao contrair esse crédito estará  a iniciar uma nova relação contratual com uma nova instituição de crédito. "Essa operação em si pode não ter custos, mas um cartão de crédito no futuro pode vir a ter", por exemplo.

Uma regra de ouro é não assinar nada que não se entende. "Enquanto consumidores podemos ter muitos direitos, mas também deveres. A obrigação é conhecer o que estamos a assinar".

Crédito pré-aprovado

Esta é outra das práticas que algumas instituições de crédito têm vindo a adotar nos últimos tempos e que, segundo a Deco, estão a intensificar-se, ainda mais às portas do Natal. 

Fazem-nos recordar as práticas que tínhamos antes da crise. Estamos a voltar a receber na nossa caixa de correio proposta de crédito pré-aprovado, que não solicitamos. Há um aliciamento a um endividamento", adverte Natália Nunes.

A Deco tem constatado que as regras para a concessão de crédito, seja pessoal, seja para ter um cartão de crédito, estão a ser feitas "com alguma facilidade". Os bancos deviam, mas por vezes não estão a ter em conta, a taxa de esforço dos consumidores.

Há, digamos, um relaxamento na concessão do crédito por parte das instituições que pode ser preocupante a médio prazo para consumidores, que podem ter dificuldades em honrar compromissos e para as próprias instituições de crédito. Os últimos dados do Banco de Portugal mostram um aumento do crédito malparado".

Banco de Portugal pondera apertar regras

O Banco de Portugal mostra-se preocupado, no Relatório de Estabilidade Financeira que publicou esta quarta-feira, com o elevado endividamento das empresas e das famílias. Está, nesse sentido, a "ponderar" restringir os critérios na concessão de crédito que os bancos devem seguir.

É fundamental que as instituições financeiras continuem a avaliar adequadamente e de forma prospetiva a capacidade de crédito dos mutuários, evitando a assunção de riscos excessivos nos novos fluxos de crédito, nomeadamente no crédito à habitação”

O Banco de Portugal quer que se dê corda à redução da dívida,  em especial ao Estado, para que a reduza de forma mais acelerada. "Afigura-se crucial que o atual enquadramento macroeconómico e financeiro seja encarado como uma oportunidade para a redução do endividamento da economia e de reforço do ajustamento estrutural das finanças públicas".

O atual elevado endividamento da economia portuguesa continua a ser um risco para a estabilidade financeira, já que torna a economia mais vulnerável a "choques adversos". Apesar de este ano se esperar uma "inversão da trajetória da dívida pública", é necessário reforçar a sua redução.

Siga estes conselhos da Deco

  • Faça um orçamento também para esta época
  • Pondere se é mesmo necessário recorrer ao crédito
  • Regra de ouro: somar as prestações dos créditos com o Natal com as outras prestações c de crédito e nunca deixar que ultrapassem os 35% do orçamento mensal (esta é o limite aceitável da taxa de esforço)
  • Tenha presente que, a partir de janeiro, será preciso pagar o que foi gasto a crédito no mês anterior
  • Não é o número de créditos que determina as dificuldades ou a responsabilidade na contratação de crédito. É, sim, o peso que as prestações têm no meu orçamento mensal.