
A DECO só conseguiu ajudar 15% das 12 mil famílias sobreendividadas que já contactaram a associação este ano a pedir socorro na renegociação de créditos. Não pode prestar auxílio às restantes por causa da situação «dramática» em que se encontram.
A jurista da Associação para a Defesa do Consumidor Ana Tapadinhas adiantou, ao certo, que só foi possível «intervenção em 1.800 processos».
«A situação financeira [das famílias] é tão dramática que já não há capacidade para renegociar a dívida», explicou, no Parlamento.
Já em 2011, recordou, das 23 mil famílias que contactaram a DECO para procurar apoio, apenas foi possível intervir em quatro mil processos, uma vez que as famílias pedem ajuda já numa situação «muito difícil».
Em média, as famílias que contactam a DECO têm cinco créditos em incumprimento e apenas um é de empréstimo à habitação.
A Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor está a ser ouvida esta sexta-feira pelos deputados do Grupo de Trabalho dedicado aos contratos de crédito à habitação, que tem como objetivo encontrar um texto de consenso, após as 18 propostas apresentadas pelos grupos parlamentares.
Os responsáveis da associação identificaram as propostas dos partidos com as quais concordam, aquelas em que gostariam de ver melhorias e reiteraram algumas que consideram essenciais e que que têm sido propostas pela Deco, mas que não constam das propostas apresentadas pelos partidos.
A DECO considerou as alterações à legislação urgentes, tendo em conta cada vez mais famílias que chegam à associação sobreendividadas, não só com crédito à habitação, mas também com outros tipos de crédito. A Associação está especialmente preocupada com as famílias em total «carência social».