A agência de notação financeira canadiana DBRS cortou o rating da dívida subordinada do Banco Espírito Santo (BES) em três níveis, de BB (high) para B (high), estando esta nota sob revisão para novo corte.

Em comunicado emitido na quinta-feira, a DBRS refere também que baixou a «avaliação intrínseca» [Intrinsic Assessment (IA)] do BES em um nível, de BBB (low) para BB (high), que o rating da dívida de longo prazo e dos depósitos do banco permaneceu inalterado em BBB (low), tal como a nota da dívida de curto prazo e dos depósitos, que se manteve em R-2 (middle).

A agência canadiana refere-se às «pressões que o banco está a enfrentar nos seus fundamentos, tendo em conta as preocupações crescentes sobre a robustez financeira das maiores subsidiárias, que incluem as entidades do Grupo Espírito Santo (GES)».

Para a DBRS, o BES «está vulnerável à deterioração da posição financeira das entidades do GES» e a exposição entre as várias empresas «tem potencial para ter um impacto negativo na base de capital do BES».

Além disso, a DBRS refere que a exposição do BES ao BES Angola «continua incerta», alertando que, «se as dificuldades do BES Angola são provavelmente possíveis de gerir isoladamente, acrescentam incerteza à posição financeira do BES e restringem a sua flexibilidade financeira».

A DBRS antecipa que o BES provavelmente receba «algum tipo de apoio sistémico» num cenário altamente adverso e diz que está «confortável» com o acesso do BES ao financiamento do Banco Central Europeu (BCE) «se necessário», embora considere que «a posição de liquidez atual do banco pareça sólida».

A instituição considera que, se o BES aceitar apoio do Estado, isso provavelmente teria «implicações negativas» para os detentores de dívida subordinada no banco e para a flexibilidade estratégica do grupo.

Nas últimas semanas, foram sendo tornados públicos vários problemas em empresas da área não financeira do Grupo Espírito Santo (GES), que têm levantado receios de contágio ao BES, cuja gestão acabou de mudar de mãos.

O novo presidente executivo do BES, Vítor Bento, que substituiu o líder histórico Ricardo Salgado, disse na segunda-feira, dia em que entrou em funções, que a prioridade no banco é «reconquistar a confiança dos mercados» e pôr fim à especulação.

O Banco de Portugal já veio várias vezes a público garantir a solidez financeira do BES e o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, também já tranquilizou os depositantes do banco.