Mais de 2.500 participantes vão debater «O novo contexto global» e os dez principais desafios que o mundo enfrenta na 45ª edição do Fórum Económico Internacional Mundial (WEF), que arranca quarta-feira em Davos, na Suíça.

A escalada de conflitos, o risco de pandemias, as divergências face ao crescimento económico entre países e o novo contexto energético são alguns dos temas em debate no Fórum de Davos, que decorre entre quarta-feira e sábado, como habitualmente na estação de ski dos Alpes suíços.

O presidente e fundador do WEF, Klaus Schwab, responsável pela escolha do tema «O novo contexto global», defendeu que 2015 será um ano crucial para a humanidade, que estará na intersecção de dois caminhos, um que levará à desintegração, ao ódio e ao fundamentalismo, e o outro que conduzirá à solidariedade e à cooperação.

Depois dos atentados terroristas de Paris, o programa do encontro não foi modificado, mas estes assuntos serão evocados e «todas as regiões de crise no mundo estarão representadas», indicou na semana passada o fundador do Fórum, professor Klaus Schwab.

A recente eliminação da taxa de câmbio mínima do franco suíço face ao euro, bem como a nova ameaça geoestratégica que representa a expansão do radicalismo, também vão estar no centro dos debates em Davos.

A política monetária a nível mais global será abordada pelos responsáveis dos bancos centrais de França, Itália, Japão e Suíça, depois deste último país ter decidido na semana passada abolir o controlo cambial do franco suíço face ao euro.

Esta medida criou uma 'onda de pânico' que atingiu também o mercado europeu, desvalorizando a moeda única e fortalecendo o dólar norte-americano.

Os efeitos desta medida, que muitos viram como 'um ensaio geral' do esperado anúncio que deverá ser feito na quinta-feira pelo Banco Central Europeu (BCE) sobre o programa de compra de dívida soberana, serão analisados à lupa em Davos.

Este ano os participantes, provenientes de 140 países, serão convidados a centrarem as discussões no presente, mais do que tentar projetar o que ocorrerá no futuro, afirmaram os organizadores, defendendo que «a complexidade e complicação que caraterizam o contexto mundial assim o requerem».

Para o fundador do WEF, este fórum deve facilitar a busca de «novas soluções» para restabelecer a «confiança e estabilidade» económica, mas também política, sendo uma «plataforma de cooperação» entre representantes políticos e da sociedade civil.

Entre os participantes estarão designadamente a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, François Hollande, o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang e o secretário de Estado norte-americano, John Kerry.

O ministro da Economia português, António Pires de Lima, vai também marcar presença no encontro, bem como alguns empresários portugueses, como Paulo Azevedo, da Sonae, e José Soares dos Santos e Henrique Soares dos Santos, da Jerónimo Martins.

De nacionalidade portuguesa, estará também António Guterres, na qualidade de Alto-comissário das Nações Unidas para Refugiados, o antigo presidente da Comissão Europeia Durão Barroso (2004-2014) e o presidente executivo do Lloyds Bank, António Horta Osório.

Os participantes são representantes dos mundos político, económico, universitário e da sociedade civil provenientes de mais de 140 países.

Mais de uma dezena de representantes de comunidades religiosas também estará em Davos, transformado num campo com alta segurança das polícias e do exército suíço.

O programa do Fórum prevê 280 sessões, das quais cerca de cem serão transmitidas pela Internet, com temas que incluem a procura de soluções para os conflitos geopolíticos, como os que atingem a Ucrânia e vários países do Médio Oriente.

Fundado em 1971, o Fórum de Davos apresenta-se como um «laboratório de ideias» para debater grandes temas relevantes para o mundo a curto e médio prazo.