
O diretor do Instituto Internacional de Finanças (IIF, na sigla do inglês), diz que a Europa, e o seu principal financiador, a Alemanha, focaram-se demasiado na austeridade, às custas do crescimento, exacerbando os problemas em países como a Grécia. Isso tem de mudar.
O alerta de Charles Dallara, em entrevista à CNBC, não fica por aqui. O homem que representou os credores privados nas negociações com a Grécia com vista à reestruturação da dívida pública helénica, diz que «o foco nas metas orçamentais de curto prazo tem de ser adaptado à realidade económica».
«Se conseguirmos reconstruir a confiança dos investidores privados, podemos alterar a situação na Grécia. O foco foi demasiadamente centrado nos cortes orçamentais de curto prazo e isso criou a sensação de que a crise não tem fundo», acrescentou.
Dallara está «otimista» quanto ao futuro de longo prazo da Grécia, mas admite que, no curto prazo, a sua determinação será posta à prova.
«Levará algum tempo ate obtermos resultados, mas quando o pó assentar teremos um Governo que terá pouca margem para escolher outra coisa que não seja preservar em muitos aspetos o programa de reformas económicas.
«Penso que a Alemanha terá de reavaliar, juntamente com outros parceiros europeus, a atual estratégia económica e considerar adaptações para colocar a economia da Zona Euro num caminho mais credível».
«Deve reequilibrar a relação entre crescimento e austeridade e esticar o horizonte do ajustamento orçamental em vários países. Isto pode implicar mais financiamento nos próximos anos», avisou, ressalvando que esta é, mesmo assim, «uma abordagem menos dispendiosa do que deixar que a situação se deteriore ainda mais em países como a Grécia, Portugal, Espanha e Itália, ao ponto de surgirem problemas acrescidos-
No que toca à banca grega, o responsável diz que as instituições precisam de ser recapitalizadas urgentemente para poderem dar um impulso ao crescimento económico. «É necessária uma recapitallização urgente dos bancos e eu encorajo todas as autoridades a fazerem-no, de modo a começar o fluxo de financiamento à economia, que está com fome de crédito».
Nem que, para isso, «algumas reformas regulatórias tenham de ser suspensas por algum tempo, de modo a que a pressão para reequilibrar os níveis de capital possa abrandar e a concessão de crédito possa recomeçar a crescer. Não haverá um crescimento renovado enquanto não houver crescimento de crédito», concluiu.