O volume de investimento em ativos de imobiliário comercial alcançou em 2014 mais do dobro do valor que se tinha registado no ano anterior, subindo para 704 milhões de euros, indicou a Cushman & Wakefield.

De acordo com a análise Marketbeat, relativa ao mercado português e divulgada hoje pela empresa, «estes volumes excedem igualmente a média anual do volume de investimento nos últimos 10 anos, próxima dos 600 milhões de euros».

A empresa de serviços imobiliários atribui a recuperação registada à «melhoria consistente da economia», a uma «menor volatilidade no mercado de dívida pública» e também à «saída limpa de Portugal do programa de ajustamento da troika», além da recuperação dos mercados financeiros, que permitiu «melhores condições para financiamento».

Os investidores estrangeiros tiveram uma contribuição importante, com um peso de 86% no capital investido e 76% no número de negócios, com destaque para os capitais americanos, que atingiram 350 milhões de euros e «um máximo histórico» no mercado português.

Com efeito, a compra pela americana Blackstone de um portfólio de ativos de logística e retalho à ESAF, num total de mais de 200 milhões de euros, é apontada pela Cushman & Wakefield como o maior negócio dos últimos oito anos em Portugal.

Quanto ao ano de 2015, a empresa espera um aumento da atividade, devido à «grande atratividade do mercado português, motivada pela atual relação entre qualidade e preço», tendo em conta também «a ainda grande disponibilidade de capitais alocados ao investimento».

«As expetativas apontam para um novo crescimento do volume total, com algumas transações iniciadas em 2014 agora a ser concluídas», prevê a Cushman, adiantando que poderá mesmo «atingir-se um novo recorde de mercado em termos de volume de capitais investidos».

Por outro lado, a empresa avisa que poderá registar-se uma «ligeira compressão» das yields (rendimentos), devido à diminuição da oferta de imóveis de gama superior.