Quando vos lamberem a cara, fiquem com a boca fechada. Eles têm línguas longas", diz Kurt Kotrschal ao grupo antes de entrar na jaula de um dos lobos que participa no curso, provocando risos nervosos.

O que é que isto tem a ver com economia? À primeira vista nada, não fosse a indicação ser dada no início de um coaching invulgar para executivos, segundo noticia a agência France Press (AFP).

Se sempre sentiu um fascínio por lobos e tem disponibilidade financeira pode ser uma boa opção de férias, ou até para uma escapadela ao trabalho se viajar para a Áustria. A localização é o Wolf Science Center, uma instituição única em Ernstbrunn, a norte de Viena, que estuda, por comparação e contraste, o comportamento e a inteligência dos lobos e dos cães.

Para os participantes há aspetos do animal mais desafiantes e intimidantes do que a língua. Por exemplo, os dentes ou a altura, que atinge facilmente a cintura de um adulto. Nanuk e Una, examinam com curiosidade o grupo de formandos. Ambos os lobos impõem respeito porque tudo neles é grande, desde as patas, às cabeças e bocas.

Neste centro o conto do “Capuchinho Vermelho” ganha outra dimensão. "Estou um pouco apreensivo", admite um dos participantes.

Co-fundado por Kurt Kotrschal, o centro é a casa de 17 lobos da América do Norte, Rússia e Europa, criados por humanos desde os 10 dias de idade para estarem habituados à sua presença, mas sem serem domesticados, asseguram os responsáveis do centro.

Além dos humanos estes lobos estão ainda habituados a 13 cães, resgatados de abrigos e criados do mesmo modo, com vista a aprofundar o estudo dos comportamentos das duas espécies.

Neste contexto o treino para executivos e gestores, com grande experiência, pretende ajudar a desenvolver o "eu animal" e o "espírito de liderança", quando colocados a um nível primário e perante um animal que impõe respeito, segundo explicou Ian McGarry, co-criador do programa "Talking with Wolves" - em português “Falar com lobos”.

Não importa quem é - pode ser o CEO de uma organização, ou o porteiro. O lobo realmente não se importa", disse McGarry, um psicólogo britânico, à AFP.

 

Quando entra no espaço do lobo, a sua posição, o seu status, quem é no seu mundo dos negócios é irrelevante", afirmou um dos participantes com 50 anos.