Os bens patrimoniais ligados à administração central podem garantir um impacto económico entre os 20 milhões e os 100 milhões de euros por ano, de acordo com um estudo da Universidade do Algarve, para o plano Cultura 2020.

O estudo intitulado «Património e Território», um de três a serem apresentados hoje no Porto, foi coordenado pelos investigadores João Pedro Bernardes, Luís Filipe Oliveira e Ricardo Moreira, e concluiu que «a taxa interna de retorno de um investimento estruturado num bem patrimonial com relevância pública nacional se situa entre os valores de 10% e 16% para as rendas apropriadas e entre 15,5% e 26,9% para a globalidade do valor gerado».

Num conjunto de 21 recomendações, o estudo propõe que se privilegie «o investimento em conteúdos, alterando as percentagens de alocação entre o investimento em obra e na produção de conteúdos, com o intuito de aumentar os índices da fruição» e que, no curto-prazo, se aposte «na reabilitação e qualificação de edifícios com potencial elevado de atração de públicos», o que pode criar «receitas futuras disponíveis para o investimento em outros imóveis».

«Numa perspetiva de longo prazo: apostar em bens patrimoniais capazes de dinamizar regiões/locais economicamente deprimidos, como forma de política regional. As duas perspetivas deverão ser implementadas de forma simultânea e complementar», escrevem os autores do estudo, segundo as conclusões e recomendações a que a Lusa teve acesso.

De acordo com o documento, a Direção-Geral do Património Cultural tutela 41 bens patrimoniais com uma dimensão de públicos total de perto de três milhões de pessoas, concentrados em grande parte na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Os investigadores da Universidade do Algarve salientaram ainda que só existe um Plano Regional de Intervenção Prioritária completo, precisamente na região da instituição, no qual se constata que, para os 67 bens listados, se verifica que há «46 a necessitar de intervenção, com maior ou menor profundidade, 33 dos quais sob tutela pública, com um orçamento de intervenção a rondar os 17 milhões de euros».

«Do ponto de vista económico o património constitui uma vantagem competitiva absoluta, pela dificuldade de ser replicado noutra região com os mesmos atributos e, como tal, é um importante aliado nas estratégias de desenvolvimento regional. O seu efeito pode sentir-se em múltiplos setores de atividade, desde o turismo à criação contemporânea, passando pelo cinema e pela arquitetura», escrevem os autores.

Em comunicado, a Secretaria de Estado da Cultura informou que «Património e Território» é um estudo que «procura identificar as necessidades de intervenção, restauro e conservação dos bens culturais que se encontram sob gestão pública e, simultaneamente, avaliar o valor do património cultural para a criação de emprego e oferta turística».

O estudo faz parte do Plano Cultura 2020, desenvolvido no contexto do quadro europeu, por iniciativa da Secretaria de Estado da Cultura, através do Gabinete de Estratégia, Planeamento e Avaliação Culturais, com o objetivo de ajudar a projetar políticas culturais para os próximos anos.

O Plano Cultura 2020 prevê a realização de cerca de uma dezena de estudos sobre o setor, em articulação com o Instituto Financeiro do Desenvolvimento Regional, o Instituto Nacional de Estatística e «um conjunto alargado de universidades e investigadores».