O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, considerou esta quinta-feira que a decisão do Governo de relançar a privatização de 66% do capital da TAP é «um atentado ao interesse público» e a «secundarização» do aeroporto da Portela.

«Estamos perante um atentado ao interesse público porque o Governo está a tentar vender ao desbarato a TAP, deitando fora uma empresa que é estratégica. Para além daquilo que está subjacente a novos ataques aos direitos dos trabalhadores e ao aumento de preços para os utilizadores», disse Arménio Carlos à agência Lusa.

O líder da CGTP comentava a decisão hoje anunciada pelo Governo que aprovou, em Conselho de Ministros, um processo de privatização da TAP, pela alienação de ações representativas de até 66% do capital social da TAP SGPS.

«Se, porventura, a TAP passar para mãos estrangeiras, corremos o risco de que este aeroporto, que hoje é estratégico, se torne num aeroporto regional. É a previsível desvalorização e secundarização do aeroporto com tudo o que isso representa», considerou Arménio Carlos.

O sindicalista apontou o dedo ao executivo que, no seu entender, «não aprendeu nada e não quer aprender», recorrendo ao exemplo da Portugal Telecom (PT).

Reiterando tratar-se de «um atentado ao interesse público». Arménio Carlos reforçou que «a CGTP se opõe firmemente a esta proposta de privatização e está disponível para contestar e tentar inviabilizar esta privatização que é uma taque ao interesse público e ao património nacional».

Esta tarde, em declarações à Lusa, o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA) manifestou-se contra a privatização de 66% da TAP anunciada pelo Governo, afirmando que o processo é «vergonhoso» e reflete uma «atitude bárbara» do executivo.

O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo (SNPVAC), também contactado pela Lusa, disse estranhar «esta pressa» do Governo quanto à privatização da companhia aérea.

O empresário português Miguel Pais do Amaral, com o antigo dono da Continental Airlines, Frank Lorenzo, o grupo espanhol Globalia, dono da Air Europa, o empresário Gérman Efromovich e a companhia brasileira Azul têm sido apontados na imprensa como interessados na operação.

Contactado pela Lusa, o empresário Miguel Pais do Amaral disse hoje que vai analisar com o consórcio financeiro a privatização de 66% da TAP e lembrou que o projeto que tinha para a companhia aérea era sobre 100% da empresa.

O Governo português recusou, em dezembro de 2012, a proposta de compra da TAP feita pelo grupo Synergy, detido pelo empresário colombiano Germán Efromovich, o único concorrente à privatização, e a venda está suspensa desde então.