O governo britânico vai defender a pena de prisão para os banqueiros que sejam condenados por conduta inapropriada e perigosa, seguindo assim parte das recomendações de um painel de deputados dos dois principais partidos.

A comissão parlamentar das normas bancárias, criada pelo governo de coligação no seguimento do escândalo de manipulação das taxas Libor, no ano passado, publicou as suas conclusões em junho. No relatório, intitulado «Mudando a banca para sempre», defende-se que os banqueiros mais importantes acusados de irresponsabilidade profissional devem encarar a hipótese de serem presos.

O governo liderado por David Cameron disse esta segunda-feira que «o comportamento de alguns na indústria dos serviços financeiros prejudicou a reputação de uma indústria que emprega centenas de milhares de pessoas e que é vital para a nossa prosperidade económica», e por isso resolveu apresentar «planos para implementar as principais recomendações do relatório, incluindo a introdução de uma ofensa criminal para conduta inapropriada por banqueiros», cita a Lusa.

Na nota, assinada pelo ministro das Finanças e pelo da Economia, também é apoiada a tese que defende a devolução dos bónus aos banqueiros de bancos intervencionados pelo Estado, que têm capital público, e para adiar os futuros bónus por um período de até 10 anos.

A reputação dos bancos britânicos tem sido afetada por sucessivos escândalos nos últimos anos, incluindo a venda de seguros de crédito enganadores e uma controvérsia crescente sobre o papel da banca britânica na escalada de acontecimentos relacionados com a crise financeira global de 2008, nomeadamente no que diz respeito à venda de créditos hipotecários de risco [conhecidos genericamente como subprime] até 2007.

A comissão parlamentar incluiu figuras de outros quadrantes, como o arcebispo de Canterbury, Justin Welby, o líder espiritual da Igreja de Inglaterra.