O Fundo Monetário Internacional (FMI) sugeriu que a Alemanha «recalibre» a sua política se as perspetivas económicas se degradarem, uma possibilidade que a instituição equaciona seriamente, insistindo nos riscos que pesam sobre a maior economia europeia.

No relatório anual sobre a economia alemã, divulgado esta terça-feira, os responsáveis do Fundo «incentivam uma recalibragem da política se o crescimento ficar abaixo das expectativas».

Esta afirmação refere-se sobretudo ao próximo ano, esclareceu Subir Lall, um dos autores do relatório, em conferência de imprensa telefónica convocada hoje a propósito deste documento.

O FMI estima que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha seja de 0,3% este ano e de 1,3% em 2014, mas o relatório enumera uma série de riscos que pesam sobre estas previsões: «A Alemanha está particularmente exposta a um abrandamento da procura e/ou a uma pressão financeira», alerta a instituição, reconhecendo, no entanto, os «fundamentos sólidos» da economia germânica.

Ao passo que, no ano passado, a economia alemã parecia ainda relativamente imune à crise que enfrentavam os seus parceiros europeus, hoje «a situação mudou», refere o documento, e a incerteza em torno da recuperação na zona euro pesa muito e reflete-se na hesitação das empresas em investir no país, escreve a Lusa.

Assim, «as perspetivas piores para a Alemanha vão, por seu turno, pesar nas perspetivas de crescimento da região e do mundo», acrescentam os técnicos, descrevendo um mecanismo de «riscos estreitamente ligados e que se reforçam mutuamente».

A política económica de Berlim, muito baseada na consolidação orçamental, não reúne consenso entre os técnicos da instituição liderada por Christine Lagarde.

De acordo com o comunicado distribuído a propósito da divulgação do relatório, «alguns [responsáveis] veem margem de manobra para uma política de estímulo [da economia] mais pró-ativa».

O FMI insiste na responsabilidade da Alemanha na zona euro e em toda a Europa, sugerindo que Berlim comunique claramente «uma visão de longo prazo» para a integração europeia, que será «crucial para as famílias, para as empresas e para o sistema financeiro».