A contração económica em Espanha terminou mas a recessão continua e a economia permanece muito vulnerável a estímulos internos e externos que continuam a condicionar o crescimento e a recuperação, segundo economistas espanhóis citados pela Lusa.

«A economia está muito vulnerável. E por isso a contração vai terminar mas a recessão não vai terminar, porque vamos continuar a crescer abaixo da média», disse em Madrid o economista Javier Díaz-Giménez, da escola de negócios IESE.

Mesmo desconhecendo como será a nova tendência do crescimento, referiu, «ninguém acredita que se voltará a crescimentos de 3 ou 4% do PIB», valores que são essenciais para criar emprego «em grande quantidade».

«Se o crescimento médio fosse de 1% nos próximos anos, o nível do PIB de 2008 só se recuperaria no 3º trimestre de 2021», explicou Díaz-Giménez, num encontro com correspondentes estrangeiros em Madrid.

Mesmo que o crescimento fosse de 2% por ano, «valor que atualmente ninguém imagina», só se alcançaria o nível máximo histórico do PIB, de 2008, no 3º trimestre de 2017, explicou.

Opinião defendida também por Juan José Toribio, presidente do Centro Internacional de Finanças (CIF) do IESE, ex-economista do Banco de Espanha e ex-diretor executivo do FMI que recorda que se está perante uma saída «meramente técnica» da recessão.

«Saímos tecnicamente da recessão só porque a alguém ocorreu definir que a saída da recessão ocorre quando deixa de haver contração trimestral consecutiva», afirmou. Mas na prática, disse, os dados positivos continuam a ser débeis e deixando pouca margem de manobra ao executivo que continua a estar impedido de fazer qualquer medida para aumentar o défice público, já por si muito elevado.

«Estimular crescimento através de medidas orçamentais é inútil: porque a UE não nos deixa, porque os mercados não admitiram isso, e porque 6,5% do défice ou mais, objetivamente, é demasiado», considerou Toribio.

Uma solução poderia ser de baixar impostos, procurando assim estimular o crescimento, mas apenas «com a condição de baixar o gasto», introduzindo medidas adicionais para receitas, como taxas moderadoras para serviços públicos, portagens ou outras «politicamente muito pouco prováveis».

Essencial, defendeu, é continuar a avançar nas reformas estruturais «para estimular o emprego e o crescimento», nomeadamente com uma reforma do mercado de trabalho que, entre outros aspetos «elimine ou reduza o salário mínimo interprofissional, estimule o emprego a tempo parcial, o contrato único e a desjudicialização das relações laborais».

Díaz-Giménez considera que, apesar dos cortes dos últimos anos, o setor público espanhol continua a estar sobredimensionado e a ser «um obstáculo importante ao crescimento», sendo «inevitável e imprescindível» concretizar uma reforma fiscal.

Outro dos problemas continua a ser o acesso ao crédito, com o economista a insistir que a decisão de não resgatar a economia espanhola, «considerado um êxito pelo Governo», deixou «um custo muito alto para as famílias e empresas em termos de dificuldades no acesso ao crédito».

«Os balanços dos bancos são agora o setor publico», afirmou.