O ex-presidente de Chipre, Demetris Christofias, foi considerado politicamente responsável pelo colapso económico da ilha mediterrânica, que forçou Nicósia a negociar um doloroso plano de resgate, indica um inquérito divulgado esta segunda-feira.

As conclusões do inquérito público citado pela Lusa, ainda que não vinculativas, serão agora entregues ao procurador-geral, que decidirá sobre o início de uma investigação criminal.

O relatório do inquérito considera que Christofias, antigo secretário-geral do AKEL (Partido Comunista) e o seu governo se basearam no mote. «Eu governo, e faço o que quero».

Christofias, que assumiu a presidência de Chipre entre 2008 e fevereiro de 2013, é acusado de uma irresponsável política fiscal e de ter ignorado os sinais de aviso sobre os problemas que se perspetivavam.

«[Christofias] insistiu nas suas posições, ignorando os conselhos e avisos de especialistas sobre as consequências das suas decisões na economia¿ e não adotou medidas corretivas», refere o relatório.

Em agosto, o antigo presidente recusou testemunhar no âmbito do inquérito, ao referir que forneceria as respostas por escrito em vez de uma resposta verbal.

Quando insistiram que respondesse às questões, optou por se retirar da sala.

Christofias também é acusado de protelar as negociações do plano de resgate com a União Europeia.

Chipre, sem acesso aos mercados internacionais desde maio de 2011, pediu apoio financeiro em meados de 2012, mas o acordo com os credores internacionais apenas foi assinado quando Christofias terminou o mandato e o novo Governo de direita tomou posse em março de 2013, após as presidenciais.