O BNP Paribas avisou esta sexta-feira que o arrastar da crise política das últimas semanas pode obrigar Portugal a pedir uma extensão do atual programa, e mesmo mais dinheiro, à troika.

Numa nota assinada pelo economista português Ricardo Santos, o banco considera que o mais provável resultado da crise política será algum tipo de eleições antecipadas e que, mesmo que seja alcançado o acordo pedido pelo Presidente da República entre PSD, CDS-PP e PS, a situação será muito volátil, já que os partidos deverão andar em modo de campanha eleitoral.

O banco continua a assumir que Portugal vai precisar de um programa cautelar no final do programa, para poder ser elegível para o novo programa de compra de dívida do Banco Central Europeu. Mas, sublinha, com esta crise política, é possível que Portugal necessite de mais, tal como uma extensão do atual programa ou de uma linha de crédito direta do Mecanismo Europeu de Estabilidade.

Quanto mais tempo durar esta situação, diz o banco, «mais difícil será para a troika justificar o discurso de que tudo está a decorrer como planeado e que Portugal vai ser capaz de regressar aos mercados».

O arrastar da situação fará ainda subir as taxas de juro sobre a dívida pública, o que pode dificultar ainda mais o acesso aos mercados.