O presidente da CIP disse esta terça-feira que a organização patronal que representa, e que será esta tarde recebida pelo Presidente da República, não defende eleições antecipadas, e que «no atual quadro parlamentar existem soluções para ultrapassar esta crise».

«Não defendemos eleições, entendemos que no quadro parlamentar existem soluções. Não sei se o Presidente da República vai validar a solução que o primeiro-ministro lhe apresentou, mas defendo que no quadro parlamentar existem soluções para ultrapassar esta crise, em que irresponsavelmente nos colocaram», afirmou António Saraiva em declarações aos jornalistas à margem da Conferência «Processo da Reforma do Estado - «O Estado Social e o Crescimento Económico» promovida pela CIP - Confederação Empresarial de Portugal.

António Saraiva considera que a crise política causou «enormes danos» ao país, colocando-o «no olho do furação».

«Esta é a tempestade perfeita, da qual felizmente penso que começamos a vislumbrar alguma saída, mas lamento a irresponsabilidade política, que pôs em causa um dos pilares fundamentais que era a estabilidade política», acrescentou.

Quanto à alternativa à continuidade do Governo através do recurso a eleições antecipadas, o presidente da CIP considerou que a solução levaria «a um enorme atraso das instituições, porque até termos eleições, um novo governo e o Orçamento do novo Governo estaríamos a falar em março de 2014. E o país não pode esperar, a economia, as empresas não suportam mais atrasos no seu desenvolvimento».

António Saraiva deixou ainda algumas observações em relação ao tema da conferência que a CIP promoveu, o da reforma do Estado, considerando que é uma questão que «vai para além de uma legislatura».

«Não podemos pensar a reforma do Estado, como não podemos reduzir o défice, em dois anos», afirmou. Porém, essa discussão «tem que ser rapidamente iniciada»,acrescentou.

«A fazer fé no que o primeiro-ministro nos disse, que na última reunião extraordinária do Conselho de Ministros há quinze dias, o Governo terá recebido um 'draft' [rascunho] do então ainda ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, aguardo que esse trabalho não seja abandonado, que veja a luz do dia e que rapidamente se apresente ao país uma reforma do Estado digna desse nome, e não medidas avulsas como aquelas que nos têm surpreendido», sublinhou.