O Instituto Nacional de Estatística (INE) vai divulgar esta sexta-feira a primeira estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) no último trimestre de 2013, que deverá ter apresentado um crescimento homólogo acima de 1%, ao fim de 11 trimestres consecutivos de contração.

Os analistas contactados pela Lusa esperam que a economia portuguesa tenha registado um crescimento entre os 1,1% e os 1,3% no quarto trimestre de 2013 face ao mesmo período de 2012, ainda que antecipem uma queda de 1,5% do PIB para o conjunto do ano.

Segundo os números oficiais do INE, no terceiro trimestre de 2013, a economia portuguesa cresceu 0,2% face ao trimestre anterior e contraiu 1% em termos homólogos.

O Montepio e o BPI preveem um aumento homólogo de 1,1% no último trimestre de 2013 e a Universidade Católica espera um desempenho ligeiramente melhor, de 1,3%.

Quanto à evolução em cadeia, o Montepio e o BPI esperam um crescimento de 0,1%, o BBVA Research antecipa um crescimento de 0,2% e a Universidade Católica aponta para os 0,3%.

O economista-chefe do Montepio, Rui Bernardes Serra, considera que a economia foi positivamente influenciada no último trimestre do ano passado pela procura interna, que foi «afetada pelo anúncio de um incremento da austeridade no âmbito da Proposta de Orçamento do Estado para 2014, mas numa intensidade que se estima mais do que compensada pelas exportações líquidas (¿) bem como pelo consumo público, que terá sido a única componente da procura interna a expandir».

A economista do BPI Paula Carvalho defende que esta evolução se deve ao «comportamento mais favorável do consumo das famílias», ao «desagravamento da queda do investimento» e à «manutenção da boa performance na frente externa».

Já os economistas do Núcleo de Estudos de Conjuntura sobre a Economia Portuguesa (NECEP), da Universidade Católica, que apresentaram a estimativa mais otimista, entendem que «este crescimento é suportado por uma recuperação na procura interna, incluindo o investimento, e reflete ainda uma consolidação orçamental em 2013 inferior ao previsto no início do ano».

Para o conjunto de 2013, as estimativas do BBVA Research, do Montepio, do BPI e da Universidade Católica apontam para uma contração de 1,5%, acima do que estima o Governo (-1,8%).

No entanto, os documentos da décima avaliação ao Programa de Ajustamento Económico e Financeiro de Portugal, que deverão ser divulgados em breve pela Comissão Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional, deverão conter uma estimativa do comportamento da economia mais positiva do que a oficial, que aponta para uma recessão de -1,8% em 2013, o terceiro ano consecutivo de recessão.