A economia portuguesa deverá ter crescido cerca de 0,4% no terceiro trimestre deste ano face ao trimestre anterior e perto de 1,8% perante o mesmo período de 2014, segundo a média das estimativas recolhidas pela agência Lusa.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulga na sexta-feira a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre deste ano, com a publicação da estimativa rápida das contas nacionais.

Entre as previsões recolhidas pela Lusa, a menos otimista é a do Grupo de Análise Económica do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), que antecipa um crescimento económico entre 0,2% e 0,3% em cadeia e de 1,6% em termos homólogos, enquanto a mais otimista é a do Núcleo de Estudos sobre a Conjuntura da Economia Portuguesa (NECEP) da Universidade Católica, que estima que o PIB avance 0,5% em cadeia e 1,9% em termos homólogos.

Também os departamentos de estudos económicos do BBVA e do Montepio estimam um crescimento económico em cadeia entre os 0,4% e os 0,5% e uma melhoria homóloga em torno dos 1,8%.

Apesar da semelhança com o segundo trimestre do ano, quando, segundo o INE, a economia cresceu 0,4% em cadeia e 1,5% em termos homólogos, o economista-chefe do Montepio, Rui Serra, disse à Lusa que “existem algumas alterações na estrutura do crescimento” no terceiro trimestre.

Ao contrário do que aconteceu nos dois primeiros trimestres do ano, o Montepio estima que no terceiro trimestre o contributo das exportações líquidas tenha sido “não muito elevado, mas positivo”.

A procura interna continua a ter “um contributo muito positivo para o crescimento económico”, embora com um aumento inferior do consumo privado, destacou o economista-chefe do Montepio, esperando uma redução no aumento do investimento.

O banco BPI também antevê um crescimento do PIB em cadeia de 0,4% no terceiro trimestre face ao segundo e uma variação homóloga de 1,8%, mas sem “grandes alterações no padrão de crescimento”.

Segundo disse à Lusa a economista-chefe do BPI, Paula Carvalho, “os principais motores deverão ter sido o consumo privado e as exportações”, embora o contributo da procura externa líquida se deva manter negativo, graças ao andamento das importações.

Por sua vez, o professor António Ascensão Costa, do ISEG, denota que “o crescimento da procura interna desacelerou” em comparação com o segundo trimestre, com o consumo privado a cair.

“O que se passa é que a procura externa líquida tem vindo a subtrair ao crescimento da procura interna – e subtraiu bastante no segundo trimestre. Mas pensamos que [no terceiro trimestre] terá melhorado, portanto terá tido um efeito real menos negativo”, explicou o António Ascensão Costa à Lusa.


Assim, o professor concluiu: “Com o crescimento da procura interna e com um menor contributo negativo da procura externa líquida ficamos na mesma”.

Para o conjunto do ano, o ISEG e o BPI apresentam a estimativa menos otimista, de um crescimento de 1,6% do PIB face a 2014, em linha com o antecipado pelo Governo de Pedro Passos Coelho, enquanto Montepio e BBVA esperam que a economia avance 1,7%.

O NECEP continua a ser o mais otimista, antecipando que a economia nacional melhore 1,9% face a 2014.

Entre as organizações internacionais, a Comissão Europeia e a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) estimam que a economia cresça 1,7% este ano, enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê uma subida de 1,6% do PIB em 2015.