A economia portuguesa cresceu 0,9% no segundo trimestre deste ano, em comparação com a expansão conhecida entre abril e junho do ano passado. Já em relação ao primeiro trimestre deste ano, a subida foi de 0,3%. Em ambas as comparações, estas contas finais do Instituto Nacional de Estatística são ligeiramente melhores do que a sua última estimativa, mas estão mesmo assim distantes da meta do Governo.

A leitura provisória do Produto Interno Bruto conhecida até aqui era de um crescimento de apenas 0,2% entre abril e junho, em cadeia, e de 0,8% na comparação anual. 

Veja também: Ministro diz que economia está a acelerar mas ainda não satisfaz

                       "Estes números não nos tiram de um crescimento muito anémico", diz CDS-PP

                       É "indesmentível” que economia se direciona para a estagnação, diz PSD

O balanço final é, portanto, mais positivo do que o estimado inicialmente pelo INE, mas ainda assim uma criação de riqueza sem grande expressão. Pode apelidar-se mesmo de crescimento anémico, ainda para mais tendo em conta a meta anual do Governo.

É que o Orçamento do Estado prevê um crescimento de 1,8% para este ano, mas o próprio ministro das Finanças reconheceu em agosto a retoma lenta. Seja como for, manteve as metas. Certo é que já passou meio ano e a economia ainda só fez emergir metade do que o Governo pretende.

Já que o processo de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos vai obrigar a um orçamento retificativo, ainda este ano, nessa altura se saberá se o Executivo mantém ou altera as metas orçamentais. 

Exportações e consumo privado perdem força

A ajudar à revisão em alta ligeira estiveram o crescimento das exportações de bens e serviços "mais intenso" que o das importações, refere o INE. Ainda assim, as primeiras passaram de uma variação homóloga de 3,1% no primeiro trimestre para 1,5% nos três meses seguintes, com uma melhoria menos intensa da componente de bens e com a redução das exportações de serviços. Ora, a meta do Governo é de 4,3% no conjunto do ano.

É destacada, por outro lado, a "redução mais expressiva do investimento" em Portugal, que caiu mais do que no primeiro trimestre (-3,1% face a -1,7%) e acabou por travar um melhor desempenho. 

O consumo privado aumentou 1,7%, perdendo ritmo em relação a janeiro e março. No primeiro trimestre, de facto a subida foi mais proeminente, de 2,6% e o objetivo do Governo para o ano todo é de 2,4%. 

No ano passado, o PIB cresceu 1,5%. Para este ano, a projeção do Governo é mais otimista do que a do Fundo Monetário Internacional (1,4%), da Comissão Europeia (1,5%) e do Banco de Portugal (1,3%).