O Produto Interno Bruto cresceu 0,8% entre janeiro e março, em comparação com o primeiro trimestre de 2015, e apenas 0,1% em relação aos últimos três meses de 2015, segundo a estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística. Ainda são apenas dados do arranque do ano, e faltam três trimestres para no final de 2016 ser atingida a meta de 1,8% de crescimento da economia portuguesa traçada pelo Governo no Programa de Estabilidade, mas a este ritmo será difícil lá chegar e a pressão de Bruxelas pode aumentar. 

"A procura externa líquida registou um contributo mais negativo para a variação homóloga do PIB que no trimestre anterior, refletindo a desaceleração das exportações de bens e serviços", faz notar o comunicado do INE. 

De facto, até março, as exportações de bens diminuíram 2,0%, ao passo que as importações cresceram 1%. O INE ainda não divulgou dados sobre as exportações de serviços. Os dados sobre aquilo que Portugal vende ao estrangeiro são um importante indicador sobre o desempenho da economia, sendo que o valor inscrito no Orçamento do Estado para todo o ano de 2016 é um aumento de 4,3%. 

Já a procura interna teve um contributo positivo, graças ao "crescimento mais intenso do consumo privado". No entanto, o investimento "desacelerou significativamente".

Nos últimos dados conhecidos antes daqueles que foram hoje divulgados - relativos ao quarto trimestre de 2015 - Portugal criou 1,3% mais riqueza na comparação homóloga. Daí que esteve crescimento de 0,8% revela um abrandamento e em cadeia também.

Depois de ter arrancado no vermelho com perdas ligeiras, com os investidores logo à cautela a antecipar estes dados, a bolsa de Lisboa aprofunda a esta hora as perdas, desvalorizando cerca de 0,5%. 

Segundo pior da Zona Euro

Portugal apresentou, de resto, o segundo pior desempenho entre os 19 países da zona euro no que toca à evolução do Produto Interno Bruto até março.

Só ficou à frente da Grécia, que recuou 1,3% na comparação homóloga e 0,4% em cadeia. 

Já a economia da zona euro, no seu todo, cresceu 1,5% e a da União Europeia 1,7% no primeiro trimestre, em relação ao mesmo período do ano anterior. Já em cadeira, o aumento foi bastante ifnferior, de 0,5% em ambas.

A ténue evolução da economia portuguesa pode ter como consequência uma maior pressão da por parte da Comissão Europeia. Já foi noticiado que Bruxelas considera castigar Portugal por causa do défice de 2015, que não saiu, como devia do procedimento por défices excessivos. E o ponto de partida deste arranque do ano não é o melhor.