"Boas notícias" no que toca ao défice, "magníficas" no que toca ao crescimento. O Presidente da República congratulou-se com a descida acima do esperado do défice no primeiro semestre, para 1,9%, e com revisão em alta do crescimento entre abril e junho para os 3%, lembrando que ele próprio já tinha avançado a meta de 3,2%.

Já nem é boa notícia, é magnífica notícia haver crescimento de 3% no segundo trimestre. Já está mais próximo daquilo que eu considero que é aquilo para que devemos apontar: para haver equilíbrio financeiro, para haver emprego, para haver jusitça social, temos de crescer 3% ou mais. Quando disse na Croácia achavam que estava a sonhar demais, alto demais, mas não estava".

Essas declarações aos jornalistas seguiram-se àquelas que fez durante a cerimónia de inauguração de uma nova área produtiva da fábrica da Bosch Security Systems, em Ovar, também sobre o crescimento.

Quando eu, na Croácia, tinha dito que se devia apontar para 3,2%, houve quem dissesse que o Presidente é um otimista, é um sonhador, imagina realidades impossíveis. Pois, é possível".

A três meses e meio de o ano acabar, Marcelo Rebelo de Sousa antecipa que Portugal pode cumprir a meta de 1,5% estabelecida pelo Governo para o conjunto de 2017.

Isso quer dizer que vamos poder cumprir, no mínimo, 1,5 % do défice este ano, em termos do exercício orçamental"

Apesar de mostrar entusiasmo, o Presidente da República pediu hoje para não se entrar em euforias com os dados económicos. "Por trás dos números, estão as pessoas". 

Também o primeiro-ministro, António Costa, pensa o mesmo. Congratula-se com o, nas suas palavras, "caminho certo" e tem "ambição" de fazer melhor. Já o ministro das Finanças prefere dizer apenas que os números divulgados pelo INE "são muito positivos" e trazem "uma confiança reforçada nos objetivos para 2017 e na sua obtenção". Sobre a entrada da capitalização da Caixa Geral de Depósitos no défice, garantiu que "não terá impacto" na avaliação de Bruxelas. A Comissão Europeia não se quis pronunciar sobre isso.

Bosch é exemplo

O Presidente da República associou ainda estes dados aos resultados obtidos pela Bosch em Portugal, referindo que as três unidades de produção da multinacional alemã, em Ovar, Aveiro e Braga, "contribuem com quase 1% do PIB português".

Em Ovar, o chefe de Estado colocou de lado o discurso que trazia escrito e deixou "falar o coração", recordando um anúncio que o marcou para toda a vida que dizia "Bosch é bom". "Não é bom, é muito bom. E continua a ser muito bom. Mas, então Bosch pela mão dos portugueses é excecional. É ainda melhor".

Marcelo disse ainda que este é um dia "muito feliz" porque visitou "um exemplo do que há de melhor em Portugal, na Europa e no Mundo", adiantando que a fábrica da Bosch em Ovar está "na crista da onda".

Eu que fiz muitas ondas do mar sei que estar na crista da onda é difícil, manter-se na crista da onda é muito difícil, mas é realmente fascinante. E aqui está-se na crista da onda, no topo da excelência".

A nova área produtiva da Bosch, com quatro mil metros quadrados efetivos e mais três mil metros quadrados pré-preparados para o crescimento nos próximos anos, representa um investimento de 2,9 milhões de euros.

Segundo os responsáveis pela empresa, esta obra vai permitir um aumento de 10% no volume de vendas em 2017 e cerca de 45% no próximo ano. Para responder aos novos projetos, a empresa contratou mais 140 trabalhadores, devendo contratar mais 100 até março de 2018.

A Bosch de Ovar produz equipamentos de videovigilância, sistemas de comunicações, soluções para deteção de incêndio e novos equipamentos eletrónicos para as divisões de Termotecnologia e Eletrodomésticos da empresa em todo o mundo.