O Conselho de Finanças Públicas (CFP) espera que a economia portuguesa continue a apresentar uma “trajetória de baixo crescimento”, estimando um crescimento de 1,7% do PIB este ano, o qual deverá reduzir-se gradualmente para os 1,5% em 2020.

No relatório “Finanças Públicas: Situação e condicionantes 2016-2020”, hoje divulgado, o CFP atualiza as suas projeções económicas e orçamentais com base num cenário de políticas inalteradas, ou seja, assume-se a manutenção das políticas e das medidas de natureza permanente já adotadas pelo período em causa.

Com base neste cenário, a instituição liderada por Teodora Cardoso prevê que, depois de um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,5% em 2015, “a atividade económica deverá acelerar ligeiramente para 1,7% em 2016” e, para os anos seguintes, “é esperado um abrandamento gradual da economia, atingindo um crescimento de 1,5% em 2020”.

Segundo o CFP, “o principal motor de crescimento continuará a ser a procura interna”, uma vez que “a procura externa contribuirá negativamente para o crescimento ao longo do período”.

Para a realização destas estimativas, o CFP parte de três pressupostos: haverá uma desaceleração da procura externa em 2016 “em resultado do abrandamento de vários parceiros comerciais”, haverá uma redução adicional das taxas de juro em 2016 e em 2017 “na sequência do reforço dos estímulos monetários adotados recentemente pelo Banco Central Europeu” e também ocorrerá uma “quebra substancial” do preço do petróleo em 2016.

Em 2016, a procura interna deverá ter um contributo para o crescimento do PIB de 2,1 pontos percentuais, ao passo que as exportações líquidas deverão ter um contributo negativo de 0,4 pontos.

Ao longo do horizonte da projeção, a procura interna continuará a ter um contributo positivo, mas mais reduzido, e as exportações líquidas continuarão a pesar negativamente: para 2020, o último ano da estimativa, o CFP antecipa que a procura interna tenha um contributo positivo de 1,6 pontos para o crescimento económico e que as exportações líquidas contribuam negativamente em 0,1 pontos.

Esta desaceleração da procura interna no médio prazo deve-se sobretudo à evolução do consumo: para 2016, espera-se que haja uma aceleração do consumo privado (para 2,7%) “baseada essencialmente nos fundamentos que têm ancorado o seu crescimento recente”, como o aumento do rendimento disponível, o crescimento do crédito a particulares e a redução da taxa de poupança.

Já para o médio prazo, “é esperada uma diminuição do seu ritmo (para 2%), baseada na expectativa de abrandamento gradual de fatores”.

O consumo público, por seu lado, deverá desacelerar em 2016 (para 0,2%) e depois estabilizar nos 0,3%, igualmente num cenário de políticas inalteradas.

O CFP antecipa ainda que haja “um arrefecimento da formação bruta de capital fixo”, de 3,7% em 2015 para 3,1% este ano, o que reflete “a incerteza sobre o enquadramento internacional e sobre fatores nacionais, como é o caso do impacto imediato da subida dos custos salariais não compensada pelo aumento da produtividade ou por outros fatores de competitividade estrutural”.

Relativamente à procura externa, esta “deverá evoluir positivamente no médio prazo”, mas a sua dinâmica “não será suficiente para compensar o arrefecimento da procura interna”.