A Universidade Católica reviu esta quarta-feira em alta as perspetivas de crescimento económico para 2015, admitindo que o PIB suba 1,9% em Portugal, devido à descida do preço do petróleo e do desempenho das finanças públicas.

Na folha trimestral de conjuntura divulgada hoje, o Núcleo de Estudos de Conjuntura de Economia Portuguesa (NECEP) da Universidade Católica revê em alta a projeção anterior do desempenho da economia nacional, estimando agora um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,9%, mais 0,7 pontos percentuais do que o inicialmente previsto (1,3%).

«Esta melhoria nas previsões do NECEP tem em conta, entre outros fatores, a aparente resistência do PIB à redução de salários da Função Pública no quarto trimestre, as notícias sobre o bom desempenho das finanças públicas ao longo de 2014 e o efeito positivo do preço do petróleo, quer nas contas externas, quer no consumo privado», refere, citado pela Lusa.

Além disso, os economistas da Universidade Católica consideram que «a inexistência de consequências óbvias da crise do BES no andamento da economia portuguesa é também um fator que suporta» este cenário.

Contudo, «face à incerteza da quantificação do impacto da descida do preço do petróleo no PIB», o NECEP alarga o intervalo da previsão para o crescimento do PIB este ano, situando-o entre os 1,1% e os 2,7%, sendo que o limite inferior «está alinhado com as atuais perspetivas de crescimento para a zona euro» em 2015.

O NECEP diz que «a economia portuguesa parece ter entrado num período com um crescimento tendencial modesto, mas positivo», alertando que «os sinais de recuperação cíclica ainda não são suficientemente robustos», nomeadamente quanto ao investimento, ao nível elevado do desemprego e ao impacto «incerto» da descida do preço do petróleo.

Quanto a 2014, os economistas da Católica estimam para o último trimestre um crescimento económico de 0,2% em cadeia e de 0,3% em termos homólogos e afirma que, «a verificarem-se estes resultados, o PIB terá crescido 0,8%» no conjunto do ano.

O Núcleo de Estudos apresenta ainda nesta folha trimestral de conjuntura uma primeira previsão de crescimento económico para 2016, antevendo que o PIB suba 1,8%.

Os economistas apresentam ainda estimativas da taxa de desemprego de 13,9%, de 13,3% e de 13,1 para 2014, 2015 e 2016. O NECEP antecipa ainda uma taxa de inflação média de -0,3%, 1,1% e 1,3% nos mesmos três anos e respetivamente.

No Orçamento do Estado para 2015 (OE2015), o Governo estima um crescimento do PIB de 1% em 2014 e de 1,5% em 2015 e uma taxa de desemprego de 14,2% e de 13,4% no ano passado e este ano.