O total de créditos reconhecidos e reclamados à Moviflor, empresa de mobiliário declarada falida em novembro passado, atinge os 134,9 milhões de euros, de acordo com a lista entregue no tribunal pelo administrador da insolvência.

De acordo com a lista de créditos reclamados, a que a Lusa teve acesso esta quarta-feira, a Fazenda Nacional é credora de 26,6 milhões de euros, enquanto o Instituto da Segurança Social reclama 19,1 milhões de euros.

O prazo para a entrega da lista de créditos reclamados terminou na terça-feira.

Além das Finanças e do Instituto da Segurança Social, a banca é uma das principais credoras da Moviflor, empresa que entretanto tinha mudado o nome para Albará.

O Banif reclama mais de 11 milhões de euros e o BCP acima dos 10 milhões de euros à empresa de mobiliário criada em 1971 por Catarina Remígio.

As dívidas da Moviflor ao Novo Banco ascendem a 8,2 milhões de euros e as relativas ao BBVA somam 2,7 milhões de euros, seguidas da Caixa Geral de Depósitos (1,7 milhões de euros), BIC (1,6 milhões de euros), Banco Popular (1,5 milhões de euros) e Caixa Económica Montepio Geral (cerca de um milhão de euros).

Já o BNP Paribas e o Barclays reclamam acima de 600 mil euros e de 300 mil euros, respetivamente.

A lista de credores ocupa mais de 70 páginas, incluindo variadas empresas, entre os quais fornecedores, e as dívidas aos trabalhadores.

Por exemplo, a PT Comunicações reclama créditos de 1,7 milhões de euros à falida Moviflor, enquanto a NOS aponta uma dívida de pouco mais de dois mil euros.

Já a Pikolin pede mais de três milhões de euros em dívida, numa lista que inclui como credor o Pingo Doce, que reclama mais de 72 mil euros.

A comissão de credores, que se reuniu pela primeira vez na passada segunda-feira, desde que, a 7 de janeiro, a assembleia de credores da Moviflor aprovou, por unanimidade, a liquidação da cadeia de lojas de mobiliário, é composta por cinco membros que representam os trabalhadores, fornecedores, a Autoridade Tributária e os bancos com as maiores dívidas (Banif e BCP).

Esta comissão tem, entre outras funções, acompanhar a venda do património da Moviflor, que de acordo com fontes ligadas ao processo se espera que possa decorrer durante fevereiro.

Entretanto, a 22 de janeiro terminou o prazo para que fossem apresentadas provas de alegada gestão danosa da empresa, sendo que dois advogados apresentaram informação que apontam para responsabilidades da parte da administração.

Se o juiz considerar que há matéria de prova, a informação segue para o Ministério Público.

Também o administrador judicial apresentou o seu parecer sobre o tema.

Em novembro passado, o tribunal da Comarca de Lisboa declarou a insolvência da Moviflor, depois de no final de setembro a administração da Moviflor ter enviado uma mensagem de correio eletrónico aos seus trabalhadores a informar de que iria encerrar temporariamente as lojas a partir de 1 de outubro, depois destes terem reivindicado o pagamento dos salários em atraso, bem como subsídios e indemnizações.

A 18 de novembro, segundo o anúncio do tribunal, foi proferida sentença de declaração de insolvência do devedor Albará, anteriormente denominada Moviflor.

A Moviflor recorreu ao Processo Especial de Revitalização (PER) em maio de 2013 para tentar recuperar financeiramente, mas acabou por não cumprir este plano, ficando os trabalhadores sem receber os salários em dívida.

O PER homologado pelo Tribunal do Comércio de Lisboa a 17 de dezembro de 2013 previa a recuperação da Moviflor e o pagamento regular de salários, o que não aconteceu.