O aeroporto de Ciudad Real (Espanha), em concurso de credores e sem voos há quase 18 meses, está entre hoje e 27 de dezembro aberto a ofertas de compra no valor mínimo de 100 milhões de euros, escreve a Lusa.

Considerado um dos principais ícones da bolha da construção em Espanha - e exemplo regular de maus gastos públicos - tem 28 mil metros quadrados de instalações e uma pista de quatro quilómetros (das mais longas da Europa).

Pensado com capacidade para acolher até cinco milhões de viajantes por ano, desde a sua inauguração a 18 de dezembro de 2008 recebeu apenas 100.000.

A operação faz parte da liquidação da sociedade que leva a cabo a administração concursal da sociedade CR Aeroportos S.L.

O processo de venda, aprovado pelo juiz do Tribunal Mercantil n.º 4 de Ciudad Real, prevê que, até 27 de dezembro, se apresentem ofertas pela compra do aeroporto por um valor mínimo de 100 milhões de euros, com os potenciais investidores a terem que garantir um depósito de 10% do valor.

A compra da infraestrutura não incluirá necessariamente o trespasse da licença de voo concedida pela Agência Estatal de Segurança Aérea (AESA).

Caso não haja ofertas acima dos 100 milhões de euros, arranca uma segunda fase do processo com um «leilão privado» através de uma empresa especializada que procurará diretamente os investidores.

Nesse caso o preço mínimo deverá cair para 80 milhões de euros.

Os administradores preveem um prazo máximo de um ano para a venda da infraestrutura, desconhecendo-se o que ocorrerá se findo esse período o aeroporto não for comprado.

Caso se venda, os primeiros a receber seriam os administradores concursais que gerem o aeroporto há três anos - que têm a haver cerca de dois milhões de euros - seguindo-se os 71 trabalhadores despedidos e só, posteriormente, os restantes credores, incluindo bancos e fornecedores.

Inaugurado a 18 de dezembro de 2008, o aeroporto tinha, dois anos depois, uma média de apenas uma dezena de passageiros por cada um dos dois voos diários.

A Vueling, última empresa aérea a usar a infraestrutura, suspendeu as suas operações em agosto de 2011 tendo o aeroporto ficado apenas para uso de pequenos voos privados que também acabaram por ser totalmente suspenso em 2012.