O primeiro-ministro, António Costa, revelou que foi realizada na passada segunda-feira uma reunião entre o Ministério das Finanças, o Banco de Portugal (BdP) e os três maiores bancos, com vista a preparar uma solução para o crédito malparado.

No debate quinzenal no Parlamento, o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, questionou o primeiro-ministro "como está o estudo sobre o crédito malparado e o famoso veículo que prometeu ao país que iria criar".

Posso-lhe responder que, ainda na segunda-feira, houve uma reunião no Ministério das Finanças entre o Ministério, o Banco de Portugal e os três principais bancos do país com mais elevado nível de créditos não performativos de forma a apresentarem aos bancos uma proposta de solução para eles estudarem, serem ouvidos e darem parecer sobre a matéria", disse.

O líder parlamentar do PSD lembrou que "há ano e meio" o Governo anda a falar em estudos sobre a matéria.

Ano e meio depois deixe-se de conversas, qual é a solução, quem vai financiar esta solução para o crédito malparado, que, deixe-me dizer-lhe, foi criado na altura dos governos socialistas", questionou Luís Montenegro.

A necessidade de criação de um "veículo" para retirar crédito malparado e em risco do balanço dos bancos tem sido considerada como uma medida prioritária para o Governo, com os bancos a considerarem que tal não é necessário.

"Nada a opor"

No debate quinzenal no Parlamento, o primeiro-ministro assegurou ainda que não tem "nada a opor" a uma possível entrada da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa no capital do Montepio, considerando que seria positivo para o sistema financeiro.

Nós respeitamos a autonomia da gestão e confiamos na gestão do senhor provedor. Não temos nada a opor. Vemos como positivo que no contexto de estabilização do sistema financeiro exista um banco que seja do setor social", disse António Costa.

O chefe de Executivo assegurou que o Governo não tem "nenhuma objeção" a esta entrada de capital, afirmando que, "se for de acordo aos interesses da Santa Casa da Misericórdia, nada há a opor".

Assunção Cristas insistiu na questão, lamentando que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa - que não "é uma santa casa igual às outras" - tenha que tomar esta decisão sozinha. Perguntou a António Costa se achava tranquilamente que ajudar um banco numa situação difícil "também faz parte da ação social" daquela instituição.

Registo que não deposita no provedor da Santa Sasa da Misericórdia a confiança que eu deposito para que possa desde logo avaliar se é do interesse da Santa Casa ou não fazer um investimento numa instituição financeira como o Montepio", ironizou o primeiro-ministro.

Referindo que a instituição liderada por Pedro Santana Lopes "não é uma repartição do Estado", Costa assegurou que o Governo tem "mantido um contacto regular com o senhor provedor".

Temos a certeza de que fará a avaliação devida antes de tomar uma decisão sobre essa matéria", sublinhou.