Qualquer momento é bom para falarmos de poupança, investimento e até redução daquele crédito pessoal que dura há anos. Por isso, entendemos que era útil deixar algumas dicas a quem ainda não gastou todo o subsídio de férias ou até, quem sabe, parte de o reembolso do IRS.

A especialista em Finanças Pessoais, Bárbara Barroso, esteve no espaço da Economia 24 do “Diário da Manhã” da TVI.

Gastar tudo é o primeiro instinto, mas há outras opções?

Sim. Estamos a falar de um dinheiro extra, e se para gastar não é preciso aconselhamento, se calhar vale a pena pensar em deixar algo de lado e refletir sobre onde gastar, por exemplo, na amortização de um crédito. Se o fizermos vamos estar a amortecer dívida que nos está sempre a consumir capital.

Por exemplo?

Se pensarmos num casal que ganha 1.000 euros cada e têm um crédito pessoal de 10.000 euros, quando chega a esta altura recebe mais 2.000 euros e pode fazer a opção de amortizar dívida. Mesmo que utilize só 1.000 euros, metade dos subsídios dos dois, têm um ganho futuro.

Contas feitas?

Pegámos em 1.000 euros, conseguimos uma redução total deste crédito pessoal em 1.613,49 euros, logo há cerca de 600 euros de poupança.

CRÉDITO PESSOAL

ANTES DA AMORTIZAÇÃO

Montante 10.000 €
Prazo 8 anos
Taxa de juro 13%
Prestação mensal 168,07€

APÓS A AMORTIZAÇÃO

Montante 10.000 €
Prazo 8 anos
Taxa de juro 13%
Prestação mensal 168,07€
Total do custo do crédito 16.134,96€

Porque é que tão poucas pessoas fazem isto com dinheiro extra?

Está estudado em termos de psicologia económica: temos dificuldades em pensar no longo prazo. Quando temos um rendimento extra e, sobretudo quando nós, portugueses, viemos de um período de crise em que houve quase um garrote, há a tendência para consumir. Para nos compensarmos.

Investir pode ser outro dos destinos do dinheiro. O que é mais apetecível?

Estamos em um período de taxas de juro muito baixas. Os portugueses são tendencialmente conservadores: depósitos, certificados de aforro, certificados de poupança + sempre foram os preferidos porque têm capital garantido, mas em período de taxas de juro baixas o crédito é mais barato, mas o retorno dos depósitos também é mais baixo.

Então o que é importante analisar?

Seja qual for o produto em que investem – deve estar estudado ao nosso perfil de risco – o ganho deve ser, depois de impostos, acima da inflação (atualmente cerca de 1,6%). Por exemplo, neste momento, não temos depósitos que rendam cima dessa taxa. Não há um ganho real. Se queremos que o nosso dinheiro cresça é importante que tenhamos em mente estes 1,6% da inflação.

Com juros baixos e perfil conservador como se poupa?

Tem de se arranjar alternativas com base no binómio risco/ retorno. As pessoas terão que procurar produtos de maior risco, tendo presente que, quando investimos no longo prazo o risco tende a diminuir. Não podemos pensar em algo que promete rentabilidades mais elevadas, com a expetativa de ir buscar o dinheiro amanhã. No longo prazo, se esticarmos a linha do tempo, o ativo que dá maior retorno são as ações.

Precisamos de alguém que nos aconselhe?

Precisamos, por exemplo, de saber olhar para uma empresa e avaliar quais os indicadores para que devemos olhar para saber se a empresa é saudável.