A Comissão de Trabalhadores da Oitante, veículo que absorveu os ativos tóxicos do Banif, vai pedir esclarecimentos à administração da empresa sobre a venda que terá sido feita a um investidor de crédito vencido que pertencia ao Banif, considerando que a informação que têm aponta para um negócio "ruinoso".

Numa nota enviada à Lusa, a Comissão de Trabalhadores da empresa que ficou com ativos do Banif aquando da resolução do banco em dezembro de 2015 refere que teve conhecimento de ter sido firmado um acordo para a alienação a um investidor “de cerca de 426 milhões de euros de créditos vencidos, pelo montante de cerca de 24 milhões de euros, ou seja cerca de 5% do seu valor”.

De acordo com os trabalhadores, caso se confirme o negócio, este tem um “‘haircut’ inerente de mais de 94%”, o que consideram que será um “negócio ruinoso, altamente lesivo dos interesses da Oitante, dos seus trabalhadores” e até dos contribuintes.

A Comissão de Trabalhadores vai pedir, assim, à administração da Oitante esclarecimentos sobre esta operação na reunião que está agendada para 6 de maio e, a confirmar-se, pedirá mesmo a “imediata suspensão desse negócio, sem necessidade de recurso a outros meios legais”.

A sociedade-veículo Oitante foi criada pelo Banco de Portugal, no âmbito da resolução do Banif em dezembro do ano passado, tendo ficado com os ativos que o Santander Totta não quis comprar, nomeadamente crédito malparado e imóveis.

Antes da resolução, já o banco liderado por Jorge Tomé estava a trabalhar na venda de um conjunto de ativos a investidores internacionais, sendo então assessorado pela empresa espanhola N+1.

Com a resolução do Banif, esses ativos ficaram com a Oitante e, de acordo com a informação recolhida pela Lusa, a boutique financeira N+1 continuou a ter mandato para negociar a alienação dessa carteira a investidores internacionais, mas já com a Oitante.

Será parte dessa carteira de crédito que estará a ser agora vendida.

A Lusa questionou o Banco de Portugal sobre este assunto, uma vez que a Oitante está na alçada do regulador e supervisor bancário, mas até ao momento não obteve resposta. Também o Ministério das Finanças não respondeu.

A Oitante tem como presidente Miguel Barbosa, que era o representante do Banco de Portugal na administração do Banif.