O programa de Vistos Gold registou um investimento externo em Portugal, durante o mês de Abril, de 82 milhões de euros, anunciou a Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI) em comunicado.

Segundo os dados, para o conjunto dos quatro meses de 2016, o investimento atingiu os 313 milhões, mais 45% que o apurado em igual período do ano anterior.

Contas feitas, desde que entrou em vigor, em finais de 2012, este incentivo ao investimento estrangeiro já ultrapassa os dois mil milhões de euros.

No mesmo comunicado, o presidente da CPCI, Reis Campos, deixa uma nota “são dados animadores e que permitem fundamentar uma expectativa positiva para os próximos meses”.

O responsável considera que os Visto Gold se têm revelado uma “mais-valia”, não só para a construção e imobiliário mas “também para a generalidade da economia, que está a tirar partido do interesse destes investidores no nosso país”.

Para Reis Campos, o programa dos Vistos Gold “é uma demonstração cabal que Portugal tem uma competitividade intrínseca muito elevada, e que é com medidas de incentivo bem delineadas, a promoção da confiança dos investidores e a estabilidade regulamentar e fiscal que se pode atrair mais e melhor investimento, que é precisamente o que mais precisamos para estabilizar, em definitivo, a economia e o emprego”.

Com o impacto da investigação judicial no âmbito da “Operação Labirinto”, em 2015, o investimento através de Vistos Gold caiu para metade, segundo dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), noticiados pela Lusa em Janeiro.

As alterações à atribuição dos Vistos Gold surgiram depois da desta investigação policial, em novembro de 2014, ter levado à prisão preventiva de cinco de 11 arguidos por alegada corrupção, num processo que culminou na demissão do cargo do então ministro da Administração Interna, Miguel Macedo.

Na semana passada o juiz Carlos Alexandre decidiu num despacho de 12 de Maio. Todos os arguidos do processo Vistos Gold vão a julgamento, incluindo o ex-ministro Miguel Macedo e o antigo presidente do instituto dos registos notariado, António Figueiredo. Carlos Alexandre considera que "a prova indiciária recolhida é arrasadora".