A greve de quinta-feira dos ferroviários poderá começar a sentir-se entre as 22:00/23:00 de hoje, sobretudo nos suburbanos de Lisboa e Porto, mas o impacto mais visível será ao início da manhã, antecipa fonte sindical.

«Como sempre, prevemos uma grande adesão dos trabalhadores, até por aquilo que está em causa. Mas só poderemos ver logo ao início da noite e durante o dia de amanhã [quinta-feira] o impacto que terá para fora», afirmou à agência Lusa o coordenador do Sindicato Nacional dos Trabalhadores Ferroviários (SNTF) e membro da direção da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans), Abílio Carvalho.

Contactada pela agência Lusa, a diretora de comunicação da CP, Ana Portela, garantiu que a empresa tem «todos os meios preparados para realizar os comboios» e «tudo preparado para assegurar a circulação».

«Agora, esta greve abrange também a Refer, que controla a circulação, pelo que mesmo que tenhamos os nossos meios, se não houver condições de circulação», acrescentou.

À Lusa, a porta-voz da Refer assumiu «que podem existir algumas perturbações na regular circulação» de comboios, mas ressalvou não ter «condições para avançar impactos reais, por não ter dados concretos».

«Esta é uma greve muito abrangente e, como não foram decretados serviços mínimos [pelo Conselho Económico e Social], temos de assumir que possa haver [supressão de comboios] », disse.

Embora decorra entre as 0:00 e as 24:00 horas de quinta-feira, «como há trabalhadores que têm turnos de entrada às 22:00 e às 23:00 [de hoje], é possível que nos últimos comboios da noite e nos primeiros da madrugada já possa haver algumas perturbações», referiu Abílio Carvalho.

Segundo antecipou, pelas 22:00, 22:30, 23:00 poderá já haver algumas perturbações, nomeadamente nos comboios suburbanos das grandes cidades, que são os que circulam em maior número a essa hora.

«Depois [a greve] torna-se mais visível na hora de ponta, ao início da manhã, por volta das 07:00/08:00, em que poderá haver um grande impacto, incluindo nos Intercidades e nos Alfa Pendulares», acrescentou.

O pré-aviso de greve foi emitido a 17 de abril pelos sindicatos representativos dos trabalhadores da Refer, CP, CP Carga e EMEF (Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário).

De acordo com Abílio Carvalho, na base do protesto está «o que está a ser feito em relação ao roubo dos salários e a confirmação de que este vai continuar, quando se dizia que era uma situação provisória».

Os trabalhadores contestam ainda as políticas do Governo para o setor ferroviário, nomeadamente as concessões previstas na CP e a fusão entre a Refer e a Estradas de Portugal (EP), respetivamente gestoras das redes ferroviária e rodoviária nacional, anunciada pelo Governo.

Para os sindicatos, em causa está «a destruição da ferrovia em Portugal».