As automotoras que operavam na última década da Linha do Tâmega, entre Marco de Canaveses e Amarante, foram vendidas a uma empresa do Peru, revelou a CP.

Numa carta da empresa ferroviária enviada ao presidente da Câmara do Marco de Canaveses, a empresa ferroviária, através do presidente do conselho de administração, esclarece que as automotoras vendidas e já retiradas da estação da Livração (Marco de Canaveses), onde estavam aparcadas, são do final da década de 90 e que, por isso, não estão classificadas como tendo "interesse histórico".

Assinala-se também que não se perspetivava a reutilização daquele material que se encontrava parado desde 2009 e a degradar-se.

A posição da CP ocorre depois de o edil do Marco de Canaveses, Manuel Moreira, ter criticado a venda das automotoras, sem conhecimento prévio do município, reclamando o interesse da autarquia na aquisição do antigo material circulante da Linha do Tâmega, com o objetivo de criar um núcleo museológico.

Na carta enviada a Manuel Moreira, à qual a Lusa teve acesso, a empresa ferroviária sublinha que se mantêm na estação da Livração duas automotoras da década de 50 que foram colocadas em circulação quando terminaram as composições a vapor.

Segundo a CP, uma dessas automotoras vai ser cedida à Fundação do Museu Nacional Ferroviário Ginestal Machado, contribuindo desta forma para "a preservação da história do caminho-de-ferro em Portugal, em particular das vias estreitas do Douro".