Os representantes dos trabalhadores da CP e CP Carga acusam o Governo e a empresa de não os informar e consultar sobre a privatização da CP Carga, cujo negócio consideram prejudicial para o erário público e para o país.

"A CP e o Governo decidiram a venda direta da CP Carga sem envolverem no processo as comissões de trabalhadores, conforme está previsto na lei", disse à agência Lusa José Reizinho, da Comissão de Trabalhadores (CT) da CP, queixando-se de que não lhes tem sido fornecida qualquer informação sobre o processo em curso.

O Governo assinou a 21 de setembro o acordo de venda de 95% do capital da CP Carga com a operadora ferroviária MSC, pelo valor de 53 milhões de euros, dos quais 51 milhões de euros serão usados para a recapitalização da empresa.

A conclusão do negócio está ainda pendente do parecer da Autoridade da Concorrência.

As CT da CP e da CP Carga emitiram hoje um comunicado conjunto em que criticam o Governo por apresentar como "um grande negócio" a venda "por 2 milhões de euros de uma empresa cuja dívida é de 120 milhões, passando por cima do facto de ter ativos superiores a 60 milhões".

Segundo os representantes dos trabalhadores, a CP prepara-se para passar para a CP Carga todas as locomotivas que até agora lhe alugava, através de um aumento de capital social em espécie.

"Esta capitalização da CP Carga não só limpa toda a sua dívida como representa uma descapilalização da CP em igual montante. E isto a troco de 2 milhões de euros", dizem as CT no comunicado.

José Reizindo disse à Lusa que a CP vai passar para a CP Carga 88 milhões de euros, sob a forma de capital social, descapitalizando-se a si própria.

Para a CP esta posição é "uma versão incorreta que mais uma vez as Comissões de Trabalhadores da CP e CP Carga divulgaram em comunicado, sobre a questão da privatização da CP Carga".

Por isso, a CP – Comboios de Portugal emitiu uma nota de esclarecimento, para que "não subsistam mais dúvidas".

"Independentemente do processo de privatização da CP Carga que não se encontra ainda encerrado, no âmbito da autonomização daquela empresa, a CP procedeu à sua capitalização, tendo sido a última etapa concluída há mais de um mês, com a transferência da titularidade do material de tração que está exclusivamente ao serviço da mesma", diz a CP no seu comunicado.

De acordo com a empresa ferroviária, "essa transferência não envolve qualquer movimento de fluxos financeiros e terá efeitos contabilísticos nas duas empresas, que se refletirão nas respetivas contas, independentemente do sucesso que o processo de privatização venha a registar na sua etapa final".

Para as CT, com este negócio "o erário público tudo perde", assim como "o desenvolvimento sustentável do país".

Os trabalhadores da CP e CP Carga e os seus representantes têm feito várias ações de protesto contra a privatização da empresa.