O candidato a presidente do Conselho Económico e Social (CES), Correia de Campos, exortou esta terça-feira os parceiros sociais a não desistirem da concertação e garantiu que não deixará ninguém manipular o diálogo social a favor de interesses sectoriais.

“Ninguém pode desistir da concertação social, isso seria um desastre, e ninguém pode manipular a concertação social a favor de interesses sectoriais”, disse António Correia de Campos no parlamento.

O antigo ministro da saúde e antigo deputado europeu respondeu esta terça-feira, durante quase duas horas, às perguntas dos deputados da comissão parlamentar de trabalho e segurança social, na véspera da eleição para a presidência do CES.

Correia de Campos garantiu que não é “muito suscetível de ser manipulado”.

“Se existe algum risco de instrumentalização o meu papel é lembrar que se deve sempre fugir desse risco”, afirmou.

O antigo ministro reconheceu que a concertação social não é uma tarefa fácil, mas prometeu tudo fazer para a promover e defendeu que o CES pode alimentá-la intelectualmente com informação adequada.

“Se não houver esta informação quantificada a concertação fenece”, acrescentou.

Todos os grupos parlamentares felicitaram a escolha de Correia de Campos como candidato a presidente do CES e questionaram o responsável sobre temas socioeconómicos da atualidade que são normalmente discutidos em concertação social.

Correia de Campos disse que aceitou candidatar-se por obrigação cívica e por respeito ao cargo e salientou a importância económica e social do CES, prometendo valorizar o diálogo social.

O responsável fez uma declaração de interesses explicando aos deputados que desde que está reformado fez, a nível individual, três trabalhos de consultoria sobre desenvolvimento económico e social e garantiu que esta atividade será abandonada se for eleito presidente dos CES.

O antigo ministro socialista Correia de Campos foi esta terça-feira ouvido no Parlamento, numa reunião conjunta das comissões de Economia e de Trabalho e Segurança Social, na qualidade de indigitado para presidente do Conselho Económico e Social (CES).

O nome do antigo ministro da Saúde foi acordado entre PSD e PS para o cargo de presidente do Conselho Económico Social, substituindo um outro antigo titular da mesma pasta, o social-democrata Luís Filipe Pereira.

A lista única de nomes proposta por sociais-democratas e socialistas será submetida à apreciação dos deputados na quarta-feira, numa votação secreta que requer uma maioria de dois terços.

Desde fevereiro, que a questão da presidência do CES originou um autêntico "braço de ferro" entre socialistas e sociais-democratas na Assembleia da República.