Os jornalistas das publicações da Controlinveste e da rádio TSF aprovaram esta terça-feira uma moção exigindo a suspensão do processo de despedimento coletivo e a negociação de alternativas que preservem os postos de trabalho, sob pena de avançarem para a greve.

Numa moção aprovada em plenários realizados na passada sexta-feira, no Porto, na segunda-feira, na TSF, e hoje, em Lisboa, e entretanto divulgada, os jornalistas decidiram, designadamente, realizar iniciativas de informação às populações, dinamizar um manifesto, realizar vigílias e mandatar o Sindicato de Jornalistas (SJ) para convocar uma greve de 24 horas.

No documento, os jornalistas referem que «não obstante os resultados económicos dos últimos anos, a que os trabalhadores são alheios, perspetiva-se uma progressiva recuperação do mercado e o Grupo reforçou recentemente, de forma substancial, os seus recursos financeiros».

Nesse sentido, avisam que «um despedimento coletivo, além do mais com o volume anunciado (140 trabalhadores, além de 20 a abranger por rescisões ditas de mútuo acordo), representaria uma redução dramática da força de trabalho, nomeadamente nas redações, já profundamente exauridas devido a idêntica medida em 2009, que atingiu meia centena de jornalistas».

Os trabalhadores consideram que «tal redução, tanto nas redações-sede como nas redações secundárias de Lisboa e Porto, bem como em importantíssimas capitais de distrito (Viana do Castelo, Braga, Coimbra, Faro e Funchal), colocaria seriamente em causa a capacidade operacional dos órgãos de informação abrangidos e comprometeria gravemente o serviço que prestam ao público».

Os plenários foram conduzidos pelos delegados sindicais e por elementos da direção do Sindicato dos Jornalistas.

O grupo de comunicação social Controlinveste, detentor do Jornal de Notícias, Diário de Notícias, TSF e Jogo, entre outros, anunciou na quarta-feira que ia avançar com o despedimento de 160 trabalhadores, 20 dos quais através de rescisões.

«A evolução negativa do mercado do mercado dos media, tanto em Portugal como na Europa, e a acentuada quebra de receitas do setor impõem à Controlinveste Conteúdos uma decisão estratégica de redução de custos para garantir a sustentabilidade do nosso negócio», justificou o conselho de administração do Grupo, numa comunicação aos trabalhadores, a que a Lusa teve acesso e divulgou na altura.

O Conselho de Administração da Controlinveste é presidido por Daniel Proença de Carvalho desde a recente recomposição acionista que integrou no capital da empresa os empresários António Mosquito (27,5%) e Luiz Montez (15%), além dos bancos BCP e BES (ambos com 15%). O anterior proprietário, Joaquim Oliveira, passou a deter 27,5%.