A contribuição extraordinária sobre a banca, em vigor desde 2011, irá gerar receitas globais de 565 milhões de euros para os cofres estatais, segundo as verbas arrecadadas nos últimos dois anos e as projeções governamentais para 2013 e 2014.

Lançado pelo Governo de Sócrates, este imposto rendeu ao Estado 139 milhões de euros em 2011 e 136 milhões de euros em 2012. Este ano, de acordo com as expectativas expressas pelo Executivo de Passos Coelho na proposta de Orçamento de Estado para 2014, esta contribuição deverá atingir os 120 milhões de euros, menos 12% do que no ano passado.

Contudo, devido à subida da contribuição determinada pelo Governo para 2014, no próximo ano este imposto deverá gerar uma receita de 170 milhões de euros, isto é, mais 42% do que em 2013.

Até ao momento, o Banco Comercial Português (BCP) foi o banco que pagou a maior verba. Foram 32 milhões de euros em 2011 e 34 milhões de euros em 2012, num total de 66 milhões. Fonte oficial da entidade liderada por Nuno Amado revelou à Lusa que, no primeiro semestre deste ano, o BCP pagou 17 milhões de euros, valor que deverá dobrar até ao final do ano.

Segue-se-lhe a Caixa Geral de Depósitos (CGD), com um contributo de 59,2 milhões de euros (29,4 milhões de euros em 2011 e 29,8 milhões de euros em 2012).

Logo a seguir, está o Banco Espírito Santo (BES), que pagou ao Estado 30,5 milhões de euros em 2011 e 27,9 milhões de euros em 2012, ou seja, um total de 58,4 milhões de euros.

Depois, surge o Banco BPI, que pagou 15,3 milhões de euros em 2011 e 13,9 milhões de euros em 2012 (total de 29,2 milhões de euros). Fonte oficial do banco presidido por Fernando Ulrich avançou à Lusa que o banco deverá contribuir com 13,1 milhões de euros em 2013.

Por fim, a fechar o lote dos cinco maiores bancos a operar em Portugal, está o Banco Santander Totta, que despendeu 14,7 milhões de euros em 2011 e 11,8 milhões de euros em 2012 (num total de 26,5 milhões de euros). Em 2013, o banco liderado por António Vieira Monteiro deverá pagar 10,8 milhões de euros, disse à Lusa fonte oficial do Santander Totta.

Observando o total de verbas pagas pelo setor no ano passado, isto é, os já mencionados 136 milhões de euros, e o contributo destes cinco bancos, que foi de 117,4 milhões de euros em 2012, constata-se que as cinco entidades representam mais de 86% do total das verbas arrecadadas pelo Estado com este imposto.

Ainda assim, uma ligeira descida face ao peso muito próximo de 90% que os big five registaram em 2011.

Contactados pela Lusa, os gabinetes de comunicação dos cinco bancos analisados preferiram revelar apenas os valores que já pagaram desde que este imposto foi criado (e, alguns, as perspetivas para este ano), escusando-se a comentar o aumento da contribuição decidido pelo Governo.

Já o presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB), Fernando Faria de Oliveira, admitiu em declarações à Lusa que a subida da contribuição para 2014 «foi uma desagradável notícia para o setor».

Desde o início que os banqueiros portugueses têm criticado esta medida, que lhes é imposta quer as instituições que lideram tenham lucros, quer tenham prejuízos.