O atual Governo assinou nove contratos e assinará um décimo ainda esta semana, que representam um investimento total de 345 milhões de euros, todo ele proveniente de capital estrangeiro. Os projetos em causa estão relacionados com os setores automóvel, aeronáutico e das tecnologias da informação, anunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros.

Augusto Santos Silva revelou, numa audição na comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, que desde dezembro foram assinados nove novos contratos de investimento, que totalizam 319 milhões de euros. Ainda esta semana será assinado um novo contrato, no valor de 26 milhões de euros.

Os contratos têm capitais estrangeiros, nomeadamente indiano, francês, alemão e brasileiro.

"Precisamos de investimento produtivo, que gere riqueza e emprego e que permita valorizar a incorporação tecnológica da economia portuguesa e fazer a economia portuguesa subir na cadeia de valor da economia mundial"

O Governo, acrescentou o ministro, procura "valorizar os investimentos que possam potenciar a posição internacional da economia portuguesa nos 'clusters' que estão na fronteira tecnológica".

"Temos boas capacidades instaladas em Portugal no 'cluster' automóvel, no 'cluster' aeronáutico e nas tecnologias da informação, e é isso que queremos valorizar, juntamente com outros clusters nos quais Portugal tem ou uma posição de relevo consolidada, como o têxtil e o calçado, ou nos quais está a desenvolver novas capacidades, por exemplo o setor da saúde e do turismo ligado à saúde"

Santos Silva dedicara a sua intervenção inicial na reunião da segunda comissão ao tema da internacionalização da economia, durante a qual revelou que Portugal tem tido "algum progresso na relação económica com o espaço europeu", cita a Lusa.

A Europa representa 75 por cento das exportações portuguesas e 80% das importações, mas houve um progresso na balança comercial. "A taxa de cobertura das exportações sobre as importações, que no passado era de 93%, este ano passou para 96%", adiantou ainda.

"Continuamos a ter um saldo negativo, é preciso reforçar o peso das nossas exportações na balança comercial com a União Europeia"

Já quanto aos mercados extra-europeus, o ministro defendeu a continuação da aposta na diversificação e apontou que, neste caso, a taxa de cobertura é de 120%, ou seja, "o saldo comercial é muito favorável a Portugal".

PSD: economia está "praticamente estagnada"

O deputado do PSD José Cesário traçou um quadro mais negativo, ao considerar que a economia está "praticamente estagnada", que "não há ou diminuiu muito" o investimento estrangeiro ", o crescimento da economia é "muito baixo" e verifica-se "pouca criação de emprego".

A audição do ministro na comissão de Negócios Estrangeiros, que se prolongou por cerca de três horas, terminou com críticas da deputada social-democrata Paula Teixeira da Cruz, que fez um protesto por "não terem sido respondidas questões colocadas que obviam a uma adequada fiscalização pela Assembleia da República" e sublinhou que "as tutelas partilhadas não eximem os seus titulares de conhecerem aquilo que tutelam".

Santos Silva rejeitou as acusações, afirmando que respondeu, tal como os secretários de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, e dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Teresa Ribeiro, "a todas as perguntas que foram colocadas" pelos deputados.

"Não podem contar comigo para um jogo que não me parece democrático. Eu falo sobre áreas políticas da minha responsabilidade, não da responsabilidade de colegas. Podem ser indagadas através dos instrumentos", disse o ministro.

Paula Teixeira da Cruz questionara o governante sobre o acolhimento de refugiados em Portugal - área tutelada pelos ministérios da Administração Interna e dos Negócios Estrangeiros -, com Santos Silva a reafirmar que o país é o segundo, na Europa, com "maior capacidade de resposta ao processo de recolocação", totalizando atualmente 452 pessoas.